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Nicarágua impede entrada no país de grupo pró-direitos humanos

Membros do Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (GIEI) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para a Nicarágua em uma coletiva de imprensa em Manágua, em 26 de outubro de 2018, sobre a investigação da violência política no país afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. outubro 2018 - 20:43
(AFP)

Autoridades migratórias da Nicarágua negaram nesta sexta-feira (26) a entrada no país de uma comitiva do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), organização defensora dos direitos humanos, denunciou o grupo.

Três ativistas do Cejil chegaram esta manhã ao aeroporto internacional de Manágua, convidados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), mas não tiveram sua entrada permitida e precisaram voltar para a Costa Rica, reportou a entidade no Twitter.

"Embora tivéssemos um convite formal da CIDH, as autoridades migratórias nos negaram o acesso. Essa ação demonstra mais uma vez a arbitrariedade do governo e sua falta de compromisso com os direitos humanos e a democracia", expressou o Cejil.

"Lamentamos esta atuação das autoridades nicaraguenses. Estamos convencidos de que na Nicarágua há um fechamento absoluto dos espaços democráticos, há milhares de pessoas indefesas nesse país que necessitam do nosso apoio e do apoio internacional", disse depois Marcia Aguiluz, integrante da delegação do Cejil, em entrevista coletiva em San José.

Junto com ela foram deportadas Francisca Stuardo e Paola Limón.

Aguiluz explicou que, na quinta-feira, os três fizeram o trâmite de informar on-line pela Internet que viajariam para a Nicarágua para fins não turísticos, conforme exigido pelo governo.

Mas ao tentar passar pela Imigração, um funcionário informou que eles não poderiam entrar porque não haviam "avisado com antecedência suficiente", segundo Aguiluz.

"Vamos continuar com toda a nossa voz e toda nossa energia denunciando o que acontece na Nicarágua", afirmou a ativista.

A ação das autoridades foi repudiada por organizações de direitos humanos na Nicarágua, que denunciaram o assédio do governo do presidente Daniel Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, contra os defensores dos direitos humanos.

"O regime Ortega-Murillo, mais uma vez, dificulta o trabalho dos defensores dos direitos humanos ao negar a entrada da equipe do Cejil na Nicarágua", publicou no Twitter o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh).

A CIDH instalou na Nicarágua, com o aval do governo, dois grupos de trabalho para acompanhar a grave situação de direitos humanos vivida pelo país desde que, há seis meses, iniciaram manifestações contra Ortega.

Trata-se do Mecanismo Especial de Acompanhamento para Nicarágua (Meseni), que desde junho monitora as recomendações feitas pela CIDH para superar as violações dos direitos humanos cometidas durante protestos contra o governo, e do Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (GIPI), instalado em julho para apoiar as investigações sobre a violência que ocorreu no mesmo âmbito.

A repressão dos protestos deixou mais de 320 mortos, 2.000 feridos e centenas de detidos na Nicarágua, segundo grupos humanitários.

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