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Foto feita a partir da fronteira israelense com a Faixa de Gaza mostra o por do sol sobre o enclave palestino em 4 de agosto de 2014

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Diante de sua casa reduzida a ruínas por um bombardeio israelense, Nidal al-Khaldi diz apoiar a "resistência" e aceita que haja mais "mártires" palestinos para que a "vitória" seja conquistada.

Em Al-Buraj, no subúrbio da Cidade de Gaza, as ruas estão cobertas de pó, escombros, carcaças de veículos e cabos de energia elétrica. Este conflito devastador deixou em 28 dias mais de 1.800 palestinos mortos, a maioria civis, assim como 63 soldados israelenses e quatros civis em Israel.

Nidal, um desempregado de 42 anos, caminha em meio às ruínas de sua casa. Na noite anterior, os tanques do "inimigo" bombardearam o local, relata.

"Por culpa deles, já não temos casa. Aqui viviam sete famílias, mas agora estamos todos na rua. Mas esta guerra vai continuar. Não tenho problema quanto a isso. A resistência pode continuar", afirma.

"Temos 1.800 mártires. E o que a comunidade internacional faz? Nada, absolutamente nada. Vivemos em uma prisão a céu aberto. Israel destrói nossas casas, mata nossos filhos e até nossos animais. Alguém tem que fazer alguma coisa. Estamos dispostos a sacrificar nossas casas e nossos filhos pela vitória", acrescenta.

"Aqui não há trégua, apenas tanques. Chovem bombas. A cada dois minutos, os tanques israelenses nos bombardeiam", diz revoltado Murad, de 28 anos, em Zanna, subúrbio de Khan Yunis (sul).

O barulho dos ataques dos tanques israelenses invade as zonas urbanas de Gaza. As ambulâncias com as sirenes ativadas passam em zig-zag para abrir caminho.

"A 15 metros daqui, ainda há pessoas presas entre os escombros. Ouvimos seus gritos, mas, por enquanto, não podemos ir até lá, é perigoso demais", explica Murad, cercado de cerca de 20 jovens indignados, convencidos de que a guerra vai continuar.

"Simplesmente, temos mártires demais. Não resta outra opção a não ser mantermos esta guerra", disse um deles, antes de desparecer. Em outra parte de Gaza, em Rafah, perto da fronteira com o Egito, o Exército israelense está bombardeando. Alguns palestinos insistem que a "vitória" é possível.

"A resistência está mais forte do que nunca e segue se reforçando", disse Musleh, diante de um hospital no subúrbio da Cidade de Gaza que continua recebendo corpos.

AFP