Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Carro equipado com tecnologia autônoma estaciona em vaga em Las Vegas, em 8 de janeiro de 2014

(afp_tickers)

Perder tempo procurando onde estacionar é coisa do passado, pois o carro consegue fazer isso sozinho. Esta ideia, impensável há alguns anos, começa a virar realidade e é o primeiro feito para a criação de veículos totalmente autônomos.

Sem ninguém ao volante, o carro percorre o estacionamento, deixa um pedestre passar e estaciona de marcha à ré sem dificuldades. Esta tecnologia, proposta pelas empresas sueca Volvo e francesa Valeo, está por enquanto na fase de protótipo, mas pode ser lançada no mercado por volta de 2020.

Alguns carros já são capazes de se conduzir em determinadas circunstâncias. O modelo esportivo CLS da Mercedes é capaz de frear em caso de risco de acidente, se o motorista não reagir. Alguns modelos da BMW avisam caso o motorista ultrapasse involuntariamente uma faixa proibida ou podem passar ao modo de direção automática nos engarrafamentos.

"No campo da automatização, já se fez muito e hoje estamos prestes a dar um salto", garante o diretor de pesquisas e desenvolvimento da Valeo, Guillaume Devauchelle. Os avanços tecnológicos nos radares e as câmeras de detecção permitem ao carro identificar o que acontece ao seu redor, e os programas informáticos com que está equipado o ajudam a analisar a situação e agir adequadamente.

- Ninguém a bordo -

Os fabricantes prometem que o mercado terá modelos capazes de se guiar em 2020. Para eles, os veículos aptos a se movimentar pelas cidades sem a presença de um ser humano no carro podem começar a ser lançados a partir de 2030.

O principal objetivo é "reduzir a mortalidade e o número de feridos nas estradas, já que 90% dos acidentes acontecem devido a erros humanos", explica Franck Cazenave, diretor de marketing e inovação da empresa Bosch.

Mas outras vantagens também são aguardadas. Ao se comunicar entre si, e inclusive com as estruturas viárias, estes carros tornarão o tráfego mais fluido, reduzindo o consumo de combustíveis.

Depois de 2030, "podemos imaginar frotas de veículos disponíveis 24 horas por dia que vêm nos buscar quando quisermos", prevê Sebastien Amichi, sócio do escritório especializado Roland Berger.

De acordo com seus defensores, estes carros também vão proporcionar mais conforto aos passageiros.

"A partir do momento em que o motorista ficar livre da direção, terá tempo para si" e poderá ler o jornal, navegar na internet ou simplesmente descansar, afirma Franck Cazenave. Essas possibilidades atraem atores de fora da indústria automotiva.

É o caso do Google. A gigante da internet testa há cinco anos carros japoneses totalmente automatizados e fabrica, com base em sua experiência com internet e cartografia, seus próprios protótipos elétricos que podem circular sem ninguém a bordo.

No entanto, os fabricantes de carros consideram que o Google não pode competir com eles. O carro "é um ofício" que devemos conhecer bem "para dar-lhe vida", argumentava recentemente o presidente da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn.

Além disso, o custo tecnológico é proibitivo. Especialistas indicam que cada radar do 'Google car' custa 60.000 euros. Não tão caros, os dispositivos de ajuda à direção existentes custam entre centenas e milhares de euros.

Apesar de tudo, continua havendo riscos. O que ainda falta aperfeiçoar "é a qualidade dos captores e a inteligência artificial", admitem desenvolvedores da Ford.

- Responsabilidade em caso de acidente -

Todos imaginam que haverá veículos autônomos nos estacionamentos fechados ou nas autoestradas já na próxima década, mas é preciso ser prudente no que diz respeito à circulação desses veículos na cidade, em meio ao tráfego, com pedestres e ciclistas. Cabe pensar quem seria o responsável em caso de acidente.

Antes de abordar esta questão espinhosa, será preciso que os governos concordem em modificar suas legislações sobre a segurança do trânsito.

No mais, é difícil prever as reações dos motoristas. Alguns vão gostar de deixar o comando com o piloto automático, mas outros podem não se sentir confortáveis em confiar a vida a uma inteligência artificial ou vão simplesmente querer continuar desfrutando do prazer de dirigir.

AFP