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No Reino Unido, Alexa vai dar informação do serviço de saúde

Equipamentos da Amazon ouvem milhares de áudios captados pela Alexa afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. julho 2019 - 20:47
(AFP)

"Alexa, quais são os sintomas de uma gripe?" É a pergunta que os britânicos poderão fazer agora ao Serviço Nacional de Saúde (NHS) através do assistente de voz da Amazon, anunciou nesta quarta-feira (10) o governo do Reino Unido.

Os usuários poderão fazer perguntas ao aparelho sobre doenças comuns, como resfriados e enxaquecas, e terão acesso a informações verificadas pelo serviço do governo.

"É simplesmente um mecanismo alternativo que permite o acesso a informações médicas certificadas pelo NHS sobre diferentes condições, em vez de informações de sites americanos ou de outras fontes", explicou à AFP um porta-voz do ministério da Saúde.

- Sem diagnóstico -

De acordo com o porta-voz, o serviço não dará "nenhum diagnóstico ou conselho".

"Este tipo de tecnologia é um exemplo perfeito de como as pessoas podem obter conselhos confiáveis [...] do NHS sem sair de casa, reduzindo assim a pressão sobre nossos médicos e farmacêuticos", declarou em um comunicado o ministro da Saúde, Matt Hancock, acrescentando que será particularmente útil para os idosos, cegos e pessoas incapazes de acessar a internet.

Este novo serviço proporcionado pela gigante americana da tecnologia deve aliviar o trabalho do NHS, além de evitar os péssimos conselhos médicos que proliferam na internet.

Helen Stokes-Lampard, presidente do Medical Royal College do Reino Unido, que representa mais de 52 mil médicos de família, elogiou a iniciativa. Uma "ideia certamente interessante", declarou, apesar de indicar alguns limites.

"É vital que pesquisas independentes sejam realizadas para garantir que o conselho dado seja correto", declarou Stokes-Lampard à agência de imprensa britânica PA.

"Muitas pessoas não têm como ter esse aparelho, o que agravará ainda mais as desigualdades em relação à saúde", advertiu.

- "Voraz e agressivo" -

O governo britânico concedeu permissão para a Amazon utilizar as informações do site do NHS, algo que as empresas não podem fazer sem um acordo oficial. Esta colaboração não é comercial nem exclusiva, segundo o governo.

"Este acordo não custa nada aos contribuintes", disse à AFP um porta-voz do ministério. "Não houve compensação financeira, não é uma associação. A Amazon tem acesso à informação do site do NHS e queremos oferecer este serviço a qualquer empresa tecnológica".

Mas ativistas em defesa do direito à privacidade alertaram para o possível armazenamento de dados médicos para fins comerciais.

Para Silkie Carlo, diretor do grupo britânico Big Brother Watch Civil, o governo comete um erro "incentivando o público a fornecer detalhes pessoais de saúde a um dos mais agressivos e vorazes em questão de dados", e antecipou "um desastre para a proteção de dados".

Um porta-voz do ministério d Saúde respondeu que a Amazon "não compartilha nenhuma destas informações com terceiros, não vende nem recomenda produtos com base nestas informações de saúde, e não cria perfis de saúde para clientes".

Também garantiu que o gigante americano não terá acesso aos registros médicos dos britânicos.

Um porta-voz da Amazon disse ao jornal The Times que os usuários "controlam seu histórico (de pesquisa)" e podem excluir gravações.

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