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Nova convocação de greve em uma Colômbia abalada por seis dias de protestos

'Panelaço' um dia após a greve nacional de estudantes, sindicatos e organizações indígenas contra o governo do presidente colombiano Iván Duque, em Cali, em 22 de novembro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. novembro 2019 - 20:44
(AFP)

Os líderes dos protestos na Colômbia convocaram a segunda greve geral em menos de uma semana em rejeição ao governo de Iván Duque, que, apesar de sua oferta de diálogo, não consegue pôr fim à agitação social que deixou quatro mortos nas ruas em seis dias.

"Todas as ações de mobilização acordadas estão mantidas", disse Diógenes Orjuela, presidente da Central Unitária dos Trabalhadores, um dos sindicatos mais poderosos do país.

O dirigente liderou na sede presidencial a primeira reunião entre o governo e alguns setores do protesto, que foi concluída sem acordos.

"Hoje teremos mobilizações, panelaço ao meio-dia, protesto com velas e panelaço à noite, greve amanhã", disse Orjuela, do Comitê Nacional da Greve.

Com pouco mais de quinze meses no poder, Duque iniciou um "diálogo social" no domingo diante da pressão sobre seu governo conservador, que já completa seis dias de manifestações que não dão sinais de fadiga.

Milhares de pessoas saíram às ruas desde a última quinta-feira, quando a convocação de uma greve nacional resultou na maior mobilização enfrentada por um governo neste século na Colômbia. Desde então, o barulho das panelas e as marchas se alternam com alguns episódios de repressão oficial.

Na segunda-feira, um estudante de 18 anos morreu depois de ter sido ferido no sábado pela força policial (Esmad).

O caso de Dilan Cruz ampliou a oposição do movimento estudantil, que agora pede o desmonte da Esmad.

"Está claro que há uma decisão do governo nacional de reprimir e macarthizar o direito de protestar", disse Jennifer Pedraza, líder da universidade que faz parte do comitê.

- Impaciência "é grande" -

Em meio à onda de protestos no continente, na Colômbia as ruas se voltaram contra Duque e seu governo impopular. Quase sete em cada dez colombianos desaprovam sua administração, de acordo com uma pesquisa feita em novembro pelo instituto Invamer.

Duque enfrenta um descontentamento que vem se formando há anos. A Colômbia é o país mais desigual entre os 36 parceiros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), tem um desemprego de 10,1% e a informalidade do trabalho castiga quase 50% dos trabalhadores.

Os colombianos também sentem o ressurgimento da violência do tráfico de drogas em vários pontos do país e o descumprimento ou atraso dos acordos de paz com as FARC, que já foram a guerrilha mais poderosa da América Latina e se tornaram um partido em 2017.

"A impaciência do cidadão é grande, a reivindicação do cidadão é grande (...), mas também é muito importante entender que os governos não podem fazer promessas, nem os governos têm varinhas mágicas com as quais soluções milagrosas e imediatas são produzidas", disse Duque na segunda-feira.

O governo acredita ser alvo de uma campanha de desinformação e falácia que estimularam a mobilização, embora Duque considere legítimas algumas reivindicações.

Nos últimos dias, o presidente insistiu em explicar o que, segundo ele, seriam os benefícios de uma reforma tributária em curso.

"A idéia é devolver cem por cento do IVA (de 19%) às famílias mais vulneráveis da Colômbia", disse Duque na terça-feira.

Por outro lado, as centrais dos trabalhadores rejeitam as iniciativas do governo para flexibilizar o mercado de trabalho e as aposentadorias.

- Um diálogo ampliado -

Embora Bogotá seja o epicentro da revolta social, milhares de pessoas se reuniram em Medellín, Cali, Barranquilla o Manizales.

Opositores à marcha realizaram na véspera um plantão no hospital da polícia, no oeste de Bogotá, em homenagem aos 341 policiais feridos desde a quinta-feira em choques com manifestantes.

As marchas foram predominantemente pacíficas, mas deixaram quatro mortos, cerca de 500 feridos entre civis, policiais e militares, 172 detidos e 61 estrangeiros expulsos por participarem de "atos de vandalismo", a maioria venezuelanos.

As negociações do governo se desenvolverão até 15 de março em nível nacional e regional para falar de luta anticorrupção, desemprego, "crescimento econômico com equidade", educação, fortalecimento de instituições, paz e meio ambiente.

Ao final, se buscará consolidar um pacote legislativo, iniciativas de políticas públicas e que as "inquietudes" sejam incluídas nos planos de desenvolvimento dos prefeitos que assumem em janeiro, explicou o coordenador nacional do diálogo, Andrés Molano.

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