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Novo ministro da Saúde pede 'distanciamento social', na contramão de Bolsonaro

Marcelo Queiroga (E), indicado pelo presidente Jair bolsonaro para o Ministério da Saúde, e o atual ministro Eduardo Pazuello em Brasília, em 16 de março de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. março 2021 - 17:13
(AFP)

O médico cardiologista Marcelo Queiroga, nomeado novo ministro da Saúde do governo Bolsonaro, recomendou o distanciamento social para conter a pandemia, que causa estragos no país e indicou possíveis "ajustes" na política do presidente para conter o coronavírus, que até agora tem ido em sentido contrário.

"Esses óbitos que estão aí nós conseguiremos reduzir com dois pontos principais: primeiro com políticas de distanciamento social própria, que permitam diminuir a circulação do vírus; segundo com uma melhora na capacidade assistencial dos nossos serviços hospitalares", disse Queiroga, nomeado na segunda-feira por Bolsonaro como seu quarto ministro da Saúde desde o início da crise sanitária.

Queiroga, de 55 anos, pediu durante uma coletiva de imprensa ao lado do titular no cargo, general Eduardo Pazuello, a "união de todos os brasileiros" para controlar a pandemia, que já deixou mais de 284.000 mortos e está em plena ascensão no país, causando alarme em todo o mundo.

"Não adianta o governo ficar recomendando o uso de máscara se as pessoas não são capazes de aderir a esse tipo de medida que é um tipo de medida simples (...) O governo recomenda, por exemplo, redução de aglomerações fúteis e as pessoas ficam fazendo festas aos fins de semana, contribuindo para a circulação do vírus", acrescentou.

Essas considerações podem parecer senso comum em um mundo confrontado há mais de um ano a uma crise sanitária descomunal, mas são novidade no governo de Bolsonaro. O presidente tem mantido uma atitude cética sobre a gravidade da covid-19, provocou aglomerações, desdenhou do uso de máscaras e questionou a eficácia de vacinas.

- "Impacto devastador" -

A preocupação aumentou este ano com a identificação de uma variante muito mais contagiosa do coronavírus, denominada P1, surgida no Brasil.

A diretora da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, afirmou nesta quarta-feira que "a situação no Brasil é uma advertência de que manter este vírus sob controle requer uma atenção contínua das autoridades de saúde pública e dos líderes para proteger as pessoas e os sistemas de saúde do seu impacto devastador".

Segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na terça-feira, o Brasil vive com a pandemia "o maior colapso sanitário e hospitalar da história". Entre os 26 estados e o Distrito Federal, 24 têm ocupação igual ou superior a 80% de leitos de UTI, destaca o estudo.

Queiroga e Pazzuelo presidiram a coletiva de imprensa na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, após uma cerimônia de entrega de 500.000 doses da vacina da farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca, produzida em cooperação com a prestigiosa fundação.

A vacinação no Brasil começou em janeiro e sofreu vários atrasos por problemas logísticos. Até agora, apenas 4,95% dos 212 milhões de brasileiros foram vacinados com algum dos dois imunizantes disponíveis no país: a CoronaVac, elaborada pelo laboratório chinês Sinovac, em conjunto com o Instituto Butantan, de São Paulo, e o da AstraZeneca.

- "Ajustes" na política de combate à covid -

Queiroga garantiu que terá “autonomia” para fazer mudanças na política contra a covid. “O presidente nos deu autonomia e faremos os devidos ajustes no momento oportuno”, declarou.

"Acreditamos na pesquisa, na ciência", acrescentou Queiroga, sem mencionar os tratamentos precoces com medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus, promovidos por Bolsonaro.

Queiroga é nomeado em um momento em que a popularidade de Bolsonaro, que pretende ser reeleito em 2022, é afetada por sua forma de enfrentar a crise.

Um pesquisa da Datafolha divulgada nesta quarta-feira indica que 43% dos brasileiros consideram o presidente "o principal culpado" da situação atual, frente a 17% que culpam os governadores, que promovem as medidas de confinamento criticadas por Bolsonaro.

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