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Novo presidente do Uruguai pede que se deixem de lado ideologias no Mercosul

O novo presidente paraguaio, Luis Lacalle Pou, na sacada do Palácio Estevez, durante a cerimônia de posse afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. março 2020 - 19:24
(AFP)

O centro-direitista Luis Lacalle Pou, que se tornou neste domingo presidente do Uruguai, encerrando 15 anos de governos progressistas, pediu que se deixem de lado as ideologias no Mercosul, e anunciou medidas imediatas nas áreas de segurança, economia e meio ambiente.

O líder do Partido Nacional (PN), que conseguiu tirar do poder a Frente Ampla (FA, esquerda) com uma coalizão de cinco forças políticas que vão do centro até uma direita mais radical, recebeu a faixa presidencial das mãos de Tabaré Vázquez, na Praça da Independência de Montevidéu. Antes, prestou juramento ante o ex-presidente e atual senador José Mujica na sede do Parlamento, onde pronunciou um discurso em que pediu que se deixem de lado as ideologias no Mercosul e enumerou as prioridades de sua gestão.

"Não deve importar a ideologia política de cada membro do Mercosul", disse Lacalle Pou diante de deputados e convidados, referindo-se ao bloco que o país integra juntamente com Brasil, Argentina e Paraguai.

Este advogado de 46 anos que atuou por duas décadas como legislador insistiu em sua promessa de campanha de cortar gastos públicos para reduzir o déficit fiscal mais alto dos últimos 30 anos (4,6%). "Este governo tem o compromisso de administrar de forma austera, cuidaremos de cada peso do contribuinte", afirmou, assinalando que irá impulsionar "uma verdadeira pauta fiscal". Com este fim, anunciou que será criada uma nova Agência de Avaliação e Monitoramento das Políticas Públicas.

Lacalle Pou não deixou de fora a insegurança, uma das questões que levaram à derrota da FA, afirmando que o país se encontra "diante de uma emergência". Ele anunciou que irá convocar amanhã "todas as hierarquias policiais do país para dar instruções claras sobre a estratégia" a ser seguida.

Lacalle também incluiu em seu discurso o meio ambiente, garantindo que criará um ministério específico para o tema.

Um público de todas as idades acompanhou o desfile do novo presidente do Parlamento até a Praça da Independência - onde fica a sede do governo e foi realizada a transferência de poder -, agitando bandeiras nacionais.

O entusiasmo generalizado contrastava com os cânticos de um punhado de manifestantes contra os presidentes do Brasil e Chile, aos gritos de "Fora, genocidas!". Ao lado deles, um grupo da organização Mãe e Familiares de Presos Desaparecidos exibia dezenas de retratos de pessoas que desapareceram durante a última ditadura (1973-1985).

- Desafios e primeira greve -

Um dos primeiros desafios do novo governo será conseguir a aprovação da Lei de Urgente Consideração (LUC), com 457 artigos que tratam de questões como segurança, economia e educação. Este projeto, que o Parlamento deve aprovar em no máximo 90 dias, já gerou protestos de vários setores e levou o sindicato dos professores a convocar uma greve para 12 de março.

Até integrantes da coalizão formada pelo PN, o Partido Colorado (PC, liberal), Cabildo Abierto (CA, direita radical), o Partido da Gente (PG, direita) e o Partido Independente (PI, social-democrata) apresentaram mudanças no rascunho.

O novo presidente também anunciou sua intenção de implementar mudanças radicais na política externa. Para sua posse, não convidou os presidentes de esquerda de Cuba, Nicarágua e Venezuela, cujo presidente Nicolás Maduro descreveu como "ditador". Em contrapartida, contou com a presença dos presidentes direitistas do Brasil, Colômbia, Paraguai e Chile. Também o rei Felipe VI, da Espanha, que Lacalle Pou convidou ontem para um churrasco em sua residência.

A saída de Vázquez, que termina seu segundo mandato (2015-2020), encerrou três governos consecutivos da FA. O ciclo progressista culmina marcado pela aprovação de leis sociais - como a aprovação do consumo de maconha, do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo - mas também pelo aumento dos salários e aposentadorias, pela expansão do acesso a saúde, declínio acentuado da pobreza e períodos de crescimento recorde do PIB.

No entanto, os últimos cinco anos registraram estagnação econômica, aumento do desemprego e aumento da insegurança. O que ajuda a explicar sua derrota nas últimas eleições.

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