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Novo protesto mantém tensão em região mapuche no sul do Chile

Os moradores locais analisam os estragos no município de Ercilla, região da Araucanía, sul do Chile, em 2 de agosto de 2020, após noite de protestos. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. agosto 2020 - 00:16
(AFP)

Um novo protesto foi registrado nesta segunda-feira (3) na região de Araucanía, no sul do Chile, onde a tensão permanece após os violentos confrontos do fim de semana entre mapuches, policiais e grupos civis antiindígenas.

A marcha foi celebrada na localidade de Collipulli (580 km ao sul de Santiago), onde a Polícia dispersou com bombas de gás lacrimogêneo os manifestantes, que ergueram barricadas e atacaram prédios públicos, casas e estabelecimentos comerciais. Mais cedo, um caminhão estacionado em um posto de gasolina foi incendiado, informou a promotoria.

"Os Carabineiros informaram a detenção de uma pessoa que teria participado do incêndio de um caminhão que estava estacionado dentro de um posto de serviços no perímetro urbano da comuna", declarou o promotor Enrique Vásquez à imprensa.

Ao menos três manifestantes foram detidos pela polícia.

A região de Araucanía, onde se estabelecem comunidades mapuches - a maior etnia chilena - tem sido sacudida há semanas por uma série de ataques a máquinas florestais, escolas e na quinta-feira passada, o descarrilamento de um trem de carga.

No fim de semana, a tensão escalou após a violenta desocupação por parte da polícia, apoiada por grupos civis que gritavam lemas contra os indígenas, de cinco prédios municipais que eram ocupados por mapuches.

Grupos de indígenas ocuparam os locais em apoio à greve de fome feita pelo "machi" (guia espiritual) Celestino Córdova, condenado a 18 anos de prisão pelo homicídio de um casal de idosos em 2013. Córdova quer cumprir a pena em prisão domiciliar para renovar sua "rewe" (energia espiritual).

Dois dos cinco edifícios ficaram quase totalmente destruídos após os incidentes.

Depois da operação, a polícia deteve mais de 30 pessoas, todas indígenas, e nenhuma de grupos contrários a eles, que romperam o toque de recolher noturno e atacaram os mapuches desalojados.

A ação da polícia ocorreu no dia seguinte à visita na região do novo ministro do Interior e Segurança, Víctor Pérez, que pediu o desalojamento dos edifícios e afirmou que por trás dos ataques havia grupos armados organizados.

Os mapuches reivindicam há décadas a restituição de terras que consideram suas por direitos ancestrais.

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