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Novos vazamentos aumentam pressão sobre Sergio Moro

O ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro gesticula durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em Brasília, 19 de junho de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. julho 2019 - 22:35
(AFP)

A publicação de novas conversas entre o ex-juiz Sergio Moro, que se forem autênticas questionariam sua imparcialidade na operação 'Lava Jato', aumentaram nesta sexta-feira (5) a pressão sobre o ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro.

Os vazamentos foram divulgados pela revista Veja, em colaboração com o portal The Intercept Brasil, que no mês passado começou a publicar mensagens entre Moro e os procuradores da 'Lava Jato', obtidos, segundo informou, de uma fonte anônima.

"Do conjunto, o que se depreende, além de uma intimidade excessiva entre a magistratura e a acusação, é uma evidente parceria na defesa de uma causa", diz a matéria da Veja, que lembra ter sido uma fervorosa defensora da 'Lava Jato', operação que enviou dezenas de políticos e empresários à prisão, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Moro questionou em um comunicado a autenticidade das mensagens e alegou que as sentenças emitidas em alguns casos não concordam com os pedidos da Procuradoria, o que demonstraria que não houve nenhum conluio de poderes.

Os procuradores de Curitiba, onde Moro foi juiz, defenderam sua atuação ao longo das investigações, explicando que "é comum que os juízes cobre agilidade" no tratamento de casos de pessoas presas e ressaltando que duas pessoas denunciadas pelo Ministério Público foram finalmente absolvidas por Moro.

Em um dos casos citados pela Veja, em 2 de fevereiro de 2016, Moro avisa ao chefe dos procuradores, Deltan Dallagnol, que dará um prazo de três dias para que se pronuncie sobre um pedido da construtora Odebrecht para evitar que os investigadores brasileiros recebam dados solicitados à Suíça.

No dia seguinte, pergunta quando o Ministério Público vai emitir seu pronunciamento sobre o assunto e Dallagnol lhe responde: "Estou redigindo, mas quero fazer bem feita, para já subsidiar os HCs que virão. Imagino que amanhã, no fim da tarde".

As primeiras revelações do The Intercept Brasil mostravam supostas consultas para prejudicar a candidatura de Lula e depois do afilhado político deste, Fernando Haddad, nas eleições de outubro de 2018, nas quais Bolsonaro foi o vencedor.

Lula cumpre desde abril de 2018 pena de 8 anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Sua condenação em primeira instância, ratificada por dois tribunais superiores, foi proferida por Moro.

A revista Veja indica ter analisado na reportagem "649. 551 mensagens", assegura que "as comunicações examinadas pela equipe [de jornalistas] são verdadeiras" e que chegou à conclusão de que "Moro cometeu, sim, irregularidades".

"Comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida de um magistrado", indica a revista.

Depois da publicação, a hashtag #Morosuacasacaiu se tornou 'trending topic' no Twitter no Brasil. Imediatamente, os seguidores de Moro responderam com a hashtag #Morosomostodos.

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