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Criança navega em colchão por rua alagada de Assunção, Paraguai, em 2 de julho de 2014

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O desmatamento para o cultivo de soja e as represas são os culpados pelas mais recentes inundações que assolam Brasil, Paraguai e Argentina, com cerca de 700.000 pessoas afetadas, denunciou nesta quarta-feira a Fundação Vida Silvestre, em Buenos Aires.

"Os desastres naturais registrados no último mês são fruto da ampliação da fronteira agropecuária, da transformação de florestas em terra para o monocultivo e da construção de hidrelétricas", afirmou a organização em um comunicado.

As cheias dos rios Paraná, Paraguai e Iguaçu deixaram 11 mortos e cerca de 700.000 afetados, principalmente em áreas ribeirinhas. Nesta quarta, as águas chegaram à capital paraguaia, Assunção.

Nos últimos anos, nos três países, foi registrado o desmatamento de milhares de hectares para o cultivo de soja, que se transformou no "ouro verde" da região.

"O desmatamento das margens de grandes rios e de córregos no Alto Paraná para o monocultivo, principalmente de soja no Brasil e no Paraguai, fazem com que a terra perca sua capacidade de absorção e a água da chuva arraste sedimentos diretamente para os cursos d'água", indicou a organização conservacionista.

A esse fenômeno se soma "a existência de várias represas sobre os cursos d'água, em sua maioria em território brasileiro, que alteram o regime hídrico dos rios", segundo a fundação.

Em relação a isso, a organização explicou que, quando as chuvas superam os limites de segurança estabelecidos, as hidrelétricas são obrigadas a liberar grande quantidade de água gerando inundações nas zonas baixas.

O fenômeno teve impacto nos últimos dias em todo o trajeto dos rios mencionados, com 11 mortes e mais de 700.000 desabrigados e desalojados no Brasil, 200.000 pessoas obrigadas a sair de casa no Paraguai e 12.000, na Argentina.

A cheia do rio Iguaçu obrigou a Argentina a fechar um dos principais circuitos turísticos do país no início de junho, o das Cataratas do Iguaçu, devido ao volume d'água fora do normal.

Diante desta situação, a Vida Silvestre "pede o cumprimento do Código Florestal brasileiro e da Lei de Desflorestamento Zero do Paraguai, além de desaconselhar a construção de mais represas" nos rios mencionados.

AFP