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ONG promove 'isolamento seguro' para pessoas com covid em favela do Rio

Priscilla Ribeiro de Jesus, a ONG Redes da Maré, distribui alimimentos e kits sanitários a pessoas infectadas com a covid-19 na favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, em 25 de março de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. março 2021 - 00:46
(AFP)

Com suas ruas estreitas e um grande fluxo de pessoas, as favelas do Rio de Janeiro podem não ser o local mais adequado para isolar as pessoas com covid-19.

Mas integrantes da ONG Redes da Maré implementaram um sistema de visita a domicílio para manter os vizinhos infectados seguros, oferecendo a eles atendimento médico, refeições e kits de limpeza.

Com uma kombi branca, Priscilla Ribeiro de Jesus comanda a entrega da comida e dos kits em uma dezena de endereços por dia no Complexo da Maré, conjunto de 16 favelas onde vivem 140 mil pessoas.

"Na pandemia, muita gente não tem dinheiro, muitas coisas ficam fechadas, não tem como trabalhar. O kit de higienização (que contém água sanitária, sabonete e álcool) e a refeição ajudam bastante, porque às vezes eles ficam muito debilitados, não têm como cozinhar", conta a jovem entre uma entrega e outra, ziguezagueando entre casas apertadas e ruas de movimento intenso.

Augusto do Nascimento, de 72 anos, que mora com vários familiares, foi um dos vizinhos que se cadastraram para receber a ajuda do programa de "isolamento seguro".

"Toda a minha família estava doente. De repente, descobri que também estou. O kit ajuda, porque as pessoas ficam muito vulneráveis. Eu me sinto muito fraco", relatou à AFP.

O apoio sanitário oferecido pela Redes da Maré - que conta com financiamento público, privado e doações - inclui consultas de telemedicina e um centro de diagnóstico de covid-19, que funciona em um galpão semiaberto localizado na entrada da favela. Após o agendamento por aplicativo de celular, pode-se realizar ali o exame RT-PCR ou o de anticorpos, escassos nos postos de saúde daquela região.

"Nas últimas semanas, aumentou muito a procura por testes, devido ao alto número de óbitos no país. A população está mais assustada", conta Everton Pereira da Silva, responsável pela unidade de diagnósticos.

Dos 170 exames realizados por dia (120 no local e 50 em uma unidade ambulante), 18% costumam dar positivo, diz.

"Estamos como em julho, agosto, o pior momento até agora. Mas a perspectiva é de que a partir de agora se torne o pior momento", conta.

- Estatística difícil -

O Brasil superou esta semana a marca de 300 mil mortos por Covid-19, em meio à segunda onda da pandemia, que sobrecarrega os hospitais do país. O Rio de Janeiro é um dos estados mais afetados, com 35 mil óbitos.

Não existe, no entanto, um balanço preciso da situação nas favelas.

O dado mais aproximado é o do "Painel Unificador Covid-19 nas Favelas", lançado por uma rede de movimentos sociais e coordenado pela organização Comunidades Catalisadoras (ComCat), que contabiliza 34 mil casos e 3.604 mortos confirmados.

O portal, que combina os poucos dados públicos disponíveis com informações colhidas por agentes e organizações em campo, não inclui, no entanto, todas as favelas da cidade, onde vivem cerca de 20% dos 6,7 milhões de habitantes do Rio, segundo dados oficiais.

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