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Iraquianos que fugiram de suas casas em Tal Afar são vistos em acampamento de Bahrka, em 12 de julho de 2014

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A violência no Iraque durante a ofensiva lançada por insurgentes sunitas obrigou cerca de 600.000 pessoas a fugir de suas casas e ameaça a "diversidade" da sociedade iraquiana, advertiu nesta quarta-feira o chefe do Acnur.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Antonio Guterres, disse a repórteres em Bagdá que esse deslocamento populacional é alarmante, pois pode levar a uma "homogeneização dos territórios", com as comunidades "xiitas e sunitas vivendo separadamente".

Em 9 de junho, uma coalizão de insurgentes sunitas liderada pelo grupo ultrarradical Estado Islâmico lançou uma ofensiva relâmpago durante a qual tomaram grandes áreas no norte, centro e oeste do país.

Populações xiitas fugiram em massa dos territórios conquistados pelos insurgentes e agora temem nunca mais poder retornar à sua cidade ou aldeia de origem.

Ao mesmo tempo, muitos sunitas que vivem em áreas mistas se agruparam por medo das milícias que apoiam o governo dominado pelos xiitas.

Este processo leva à formação de bairros e cidades etnicamente homogêneos, o que já vinha acontecendo há vários anos, mas que ganhou uma escala maior com o início da ofensiva.

Para Guterres, esta tendência também deve colocar as minorias iraquianas - cristãs, turcomanas, yazidis e chabaks - em uma situação difícil.

"A preservação da diversidade é uma ferramenta extremamente importante para a paz, para o futuro e para a reconstrução do país", ressaltou.

De acordo com a ONU, 600 mil pessoas foram deslocadas desde a tomada de Mossul, segunda maior cidade do Iraque, pelos insurgentes.

Cerca de 500.000 pessoas já haviam fugido da violência que assola desde janeiro a província de Al-Anbar.

O número de desalojados chega a 2 milhões de pessoas no Iraque, incluindo um milhão que já haviam deixado suas casas durante as fases anteriores de violência.

AFP