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Centro de isolamento para infectados com ebola em Conacri, na Guiné, o país mais afetado na epidemia atual.

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A epidemia de febre hemorrágica Ebola, que castiga vários países do oeste da África, "deve durar meses", informou nesta quinta-feira um alto funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"É impossível dar uma resposta clara" sobre o alcance deste surto, o pior na história da epidemia, declarou à AFP Keiji Fukuda, vice-diretor-geral de Segurança Sanitária da OMS.

"Espero que vejamos uma mudança de tendência e uma queda no número de casos dentro de algumas semanas", acrescentou.

O Ebola e outras febres hemorrágicas mataram desde janeiro 467 pessoas dos 759 casos registrados nos três países afetados - Serra Leoa, Guiné e Libéria -, segundo o último balanço da OMS, publicado na terça-feira.

Esse registro tem 129 mortes a mais do que no balanço da semana passada. Este é um sinal de que a epidemia voltou a atacar depois de um período de estabilização em abril.

O anúncio do alto funcionário da OMS foi feito enquanto ministros da saúde de onze países da África Ocidental discutiam nesta quinta-feira medidas urgentes para combater a maior epidemia de febre hemorrágica Ebola da história, no último dia de uma cúpula sobre a crise em Acra, capital de Gana.

Ministros da Saúde e autoridades dos governos de Guiné, Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gâmbia, Gana, Guiné-Bissau, Mali, Senegal e Uganda, da OMS e diversos parceiros dessa agência das Nações Unidas concluíam os debates sobre as formas de controlar o Ebola iniciados na terça-feira.

Jeremy Farrar, professor de Medicina Tropical e diretor da organização beneficente The Wellcome Trust, causou controvérsia na abertura da conferência, quando foi amplamente citado pela imprensa ao pedir às autoridades de saúde para que disponibilizem aos pacientes medicamentos experimentais, ainda não testados totalmente.

"Por mais trágicos que sejam estas mortes e este sofrimento, os seres humanos não são cobaias", disse à AFP o virologista Ian Mackay, professor associado da Universidade de Queensland, refutando a sugestão.

"É uma situação muito difícil, que fica ainda pior pela sua urgência", acrescentou.

Vários laboratórios farmacêuticos e universidades americanas estão trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Ebola. Estão em diferentes etapas da experimentação, mas nenhum imunizante foi suficientemente testado para ter seu uso autorizado nas populações.

"A questão é: estes medicamentos teriam seu uso liberado para cidadãos do Reino Unido?", questionou Mackay.

"Se a epidemia acontecesse lá, nos Estados Unidos ou na Austrália, seria eticamente aceitável nesses países?", insistiu.

O vírus Ebola, que em poucos dias provoca febres hemorrágicas, seguidas de vômitos e diarreias, recebeu o nome de um rio do norte da República Democrática do Congo (antigo Zaire), onde foi registrado pela primeira vez em 1976.

Sua taxa de mortalidade pode variar de 25% a 90% nos seres humanos, dependendo das cepas. Diante da falta de uma vacina ou de um tratamento eficaz, por enquanto só é possível tratar os sintomas, sobretudo reidratando os doentes com soro.

Há cinco tipos de Ebola, sendo que três - Zaire, Sudão e Bundibugyo - podem matar humanos.

A cepa Zaire, a mais mortal e responsável pela atual epidemia, faz suas vítimas caírem doentes em questão de dias, causando febre alta e dores musculares, fraqueza, vômitos e diarreia, em alguns casos causando falência de órgãos e provocando hemorragias incontroláveis.

Até hoje houve 21 surtos de Ebola - sem contar com casos isolados de apenas um paciente - desde que o vírus foi detectado em humanos pela primeira vez na República Democrática do Congo, antigo Zaire, em 1976.

Antes da crise atual, o Ebola matou 1.587 pessoas, dois terços dos infectados, de acordo com uma contagem da AFP, feita com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

AFP