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A ONU lançou um alerta neste sábado para o risco de "caos" no Iraque, em caso de fracasso do processo político às vésperas de uma crucial sessão parlamentar.

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A ONU lançou um alerta neste sábado para o risco de "caos" no Iraque, em caso de fracasso do processo político às vésperas de uma crucial sessão parlamentar.

O Parlamento iraquiano deve se reunir neste domingo para tentar colocar nos trilhos o processo de formação do governo e apresentar uma frente unida diante da ofensiva arrasadora lançada em 9 de junho pelos insurgentes sunitas, liderados pelos "jihadistas" radicais do Estado Islâmico (EI).

Em 1º de julho, a sessão inaugural do Parlamento que saiu das urnas em 30 de abril foi desastrosa. Além da troca de acusações, muitos deputados deixaram a plenária, na qual deveriam escolher um presidente da República encarregado de apontar um primeiro-ministro.

Um fracasso neste processo "corre o risco de mergulhar o país no caos", advertiu neste sábado o enviado da ONU a Bagdá, Nickolay Mladenov.

"Se não forem encontradas soluções sérias para os problemas atuais, então, todas as autoridades deverão assumir sua parcela de responsabilidade por terem fracassado em agir com o senso do dever necessário em tempo de crise", frisou.

Ainda não está confirmado que os deputados estarão presentes no Congresso neste domingo.

Em junho, o Parlamento não conseguiu atingir o quórum para uma reunião convocada de urgência no momento mais difícil da ofensiva insurgente.

O deputado Abdul Salam al-Maliki, do partido do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, alertou que qualquer membro da coalizão do primeiro-ministro que não estiver presente será considerado "inimigo do Iraque".

A comunidade internacional e o aiatolá Ali al-Sistani, a mais importante autoridade religiosa xiita do Iraque, pediram diversas vezes à classe política que resolva as suas divergências e forme um novo governo o mais rápido possível. Mas os apelos não deram resultado até o momento.

- Ataque repelido -

No terreno, as forças iraquianas e os combatentes tribais conseguiram repelir um ataque de insurgentes contra Haditha, uma cidade do oeste do país que conta com uma refinaria de petróleo.

Primeiro, os insurgentes dispararam morteiros contra essa cidade da província de Al-Anbar (oeste). Depois, os combatentes atacaram a cidade pelos dois lados, mas foram repelidos pelas forças do governo e por membros de tribos. Pelo menos 13 insurgentes e quatro policiais foram mortos nesses confrontos.

Haditha está 150 km ao noroeste de Ramadi, que já havia sido alvo de um ataque efetuado na quinta-feira pelos rebeldes. Desde janeiro, eles já controlam alguns bairros.

Após o início da ofensiva, o EI e seus aliados assumiram o controle de Mossul e de uma grande parte de sua província de Nínive (norte), assim como de setores das províncias de Diyala (leste), Salaheddin (norte) e Kirkuk (oeste).

Em Bagdá, onde as milícias xiitas se tornaram mais ativas com a ofensiva, 25 mulheres foram mortas por homens armados não identificados. O episódio de violência ocorreu no bairro de Zayuna, em uma área conhecida por ser uma zona de prostituição.

- Forças curdas na ofensiva -

Na província de Diyala, as forças de segurança e de voluntários civis lançaram neste sábado uma ofensiva para tentar retomar as zonas do norte de Muqdadiyah, na estrada que leva a Baquba, segundo um capitão de polícia.

Mas os rebeldes aplicaram um novo golpe no Exército, ao tomar duas cidades dessa província, Al-Tawakul e Al-Zarkush, forçando os moradores a fugir - relataram testemunhas.

Ainda na província de Diyala, mais ao norte, os Peshmergas, como são chamadas as forças curdas, fizeram uma operação para expulsar os rebeldes das áreas sob seu controle em Jalawla e retomaram vários setores - declarou um oficial superior curdo.

As forças curdas haviam se aproveitado da retirada das forças federais no início de junho, retomando, com isso, o controle das zonas disputadas com Bagdá, entre elas, a cidade de Kirkuk, ao norte.

Na sexta-feira, essas forças tomaram dois importantes campos de petróleo perto de Kirkuk, agravando as tensões entre Erbil e Bagdá e afastando ainda mais a possibilidade de um governo de unidade nacional.

AFP