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Opas considera desnecessário teste de Covid-19 e quarentena em viagens internacionais

Avião comercial prepara pouso no aeroporto internacional Oscar Arnulfo Romero, em Comalapa, El Salvador, 29 de julho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. outubro 2020 - 17:11
(AFP)

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) considerou desnecessária a exigência de testes de Covid-19 antes do embarque para quem for fazer viagens internacionais não essenciais, bem como a recomendação de fazer quarentena no local de destino.

O diretor de Emergências Sanitárias da Opas, Ciro Ugarte, recomendou hoje "não depender de quarentenas ou testes para a retomada das viagens não essenciais", e citou um documento com recomendações que o órgão publicou a pedido de seus países membros.

"Como Opas, somos muito conscientes da necessidade dos Estados dependentes do turismo de reativarem suas economias", ressaltou Ugarte durante entrevista coletiva, assinalando que a reabertura de fronteiras implica aceitar e reduzir o risco de contágio.

Uma vez tomada a decisão, Ugarte recomendou o acompanhamento do estado de saúde dos turistas "nos primeiros 14 dias de sua estadia", sem obrigá-los a se isolarem, o que deve ser feito com a colaboração dos próprios turistas, hotéis e a indústria do turismo em geral, no contexto de cumprimento das medidas de saúde pública.

O diretor descartou que os testes de Covid-19 anteriores ao embarque sirvam para prevenir a propagação do vírus, já que "muitas coisas podem acontecer" no período entre a coleta e o resultado.

- 'Falsa sensação de segurança' -

"A comunidade se sente segura quando os turistas que chegam foram testados, mas esta é uma falsa sensação de segurança", enfatizou Ugarte, acrescentando que exigir testes pode levar a um uso "ineficaz" dos recursos.

O documento da Opas sobre o tema, com data de 9 de outubro, destaca que não se deve permitir viagens internacionais de pessoas que tenham seus deslocamentos restringidos em sua própria comunidade, e pede que não se considerem os turistas casos suspeitos da doença.

"Os viajantes internacionais não devem ser considerados ou tratados como casos de Covid-19, e não devem ser obrigados a cumprir quarentena no país de destino", acrescentou o diretor. Além disso, "não se justifica aplicar intervenções que possam gerar uma falsa sensação de segurança", incluindo triagem de viajantes de acordo com a temperatura corporal e preenchimento de formulários ou declarações sobre possíveis sintomas ou teste de Covid-19.

"Não se recomenda a realização ou exigência de testes aos passageiros que planejam ou fazem uma viagem internacional como ferramenta para reduzir o risco de disseminação internacional", assinala o documento, disponível no site da entidade.

A Opas pede, no entanto, que tripulantes e passageiros usem máscara durante todo o voo, bem como nos pontos de entrada, e respeitem as medidas de higiene e distanciamento. Segundo Ugarte, a organização mantém "contato próximo" com vários governos da região para ajustar as necessidades relacionadas ao turismo no processo de reabertura de suas economias.

- Limitações jurídicas -

"Depender dos testes para estimular o turismo apresenta limitações importantes e substanciais em aspectos biológicos, epidemiológicos, logísticos e de natureza legal", assinalou o diretor da Opas.

Segundo o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), convênio juridicamente vinculante assinado pelos mais de 190 países membros da OMS, o comprovante de vacinação contra a febre amarela é o único documento sanitário que pode ser exigido de um passageiro. "Além disso, impor ao país de origem o peso de realizar testes de laboratório poderia ser considerado uma interferência na soberania do mesmo quanto à sua resposta à pandemia e priorização do uso de seu recursos laboratoriais", acrescentou Ugarte.

Entre os desafios operacionais de se requerer um teste de diagnóstico, a Opas destacou uma eventual aglomeração de viajantes para a realização do exame nos pontos de entrada, a verificação dos resultados quando os mesmos são emitidos em jurisdições diferentes, e as implicações econômicas de gastos imprevistos e custos médicos.

"Estas circunstâncias são motivo de preocupação, tendo em vista a proporção prevista de falsos positivos entre os viajantes", adverte o documento da Opas, acrescentando que os possíveis testes em série para os viajantes internacionais "poderiam desviar meios de diagnóstico e outras provisões de laboratório" necessárias para grupos prioritários.

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