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Opas prevê mais de 400.000 mortes em América Latina e Caribe em três meses

Rua comercial reaberta em São Paulo em 10 de junho de 2020, apesar da pandemia de coronavírus afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. junho 2020 - 16:38
(AFP)

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pediu "flexibilidade" e decisões com base em dados epidemiológicos "detalhados" para conter a pandemia de COVID-19 que pode deixar mais de 400.000 mortos em três meses na América Latina e o Caribe.

A pandemia não mostra sinais de recuo, com pelo menos 10.372.230 casos e 506.818 mortes em todo o mundo, segundo a contagem da AFP até as 16h de Brasília desta terça-feira (30), com base em fontes oficiais.

"A América Latina e o Caribe devem ter mais de 438.000 mortes por COVID-19" nos próximos três meses, alertou Carissa Etienne, diretora da OPAS, em entrevista coletiva.

A projeção da OPAS inclui os Estados Unidos, o país mais afetado pela pandemia em termos absolutos, com 2.612.259 infecções e 126.512 mortes, com uma previsão de mais de 175.000 óbitos nos próximos três meses.

Etienne ainda afirmou que o pico de contágio na América Latina ocorrerá em momentos diferentes. Chile e Colômbia atingiram o pico nos próximos dias, enquanto a Argentina, a Bolívia, o Brasil e o Peru, o pico ocorrerá em agosto. Na América Central e no México, será em meados de agosto, embora na Costa Rica a expectativa é que seja atingida apenas em outubro.

"Estas projeções serão concretizadas apenas se as condições atuais persistirem. Isso significa que os países podem mudar essas previsões se tomarem as decisões corretas e implementarem medidas estritas e comprovadas de saúde pública", ressaltou.

Etienne pediu ainda que a pandemia seja enfrentada com dados de vigilância epidemiológica "cada vez mais detalhados" e com "flexibilidade" diante de localidades altamente dependentes da economia informal.

- Colapso econômico e do emprego -

O Peru, com 70% de sua economia gerada pela informalidade e dois milhões de pessoas que perderam o emprego durante a quarentena, começa o desconfinamento na quarta-feira com a reabertura da atividade em 18 de suas 25 regiões.

O país, um dos mais afetados com 282.195 casos e 9.504 mortes, aplicou uma quarentena rigorosa desde 16 de março e amargou uma queda de 13% do PIB no primeiro trimestre, impulsionada por uma queda de 40% em abril. O Banco Central prevê uma queda de 12,5% no PIB em 2020.

No Chile, que registra 280.000 infecções e 5.575 mortes, o desemprego subiu para 11,2% no trimestre de março a maio, com um mercado de trabalho muito afetado pelas medidas impostas para conter a propagação do vírus.

O desemprego também subiu na Colômbia para 24,5% em maio, dobrando o índice registrado no mesmo mês de 2019 (11,2%). Foi o pior resultado em quase duas décadas, disse à AFP o serviço de imprensa do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE) do estado.

Esses casos são apenas uma amostra, considerando que a pandemia atinge todo o mundo. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que as horas trabalhadas no primeiro semestre do ano diminuíram 14% em relação a dezembro, o que equivale a 400 milhões de empregos em período integral.

A região mais afetada é o continente americano, que perdeu 18,3% de horas, seguido pela Europa e Ásia Central com 13,9%.

- Pedidos por medidas nos EUA -

O assessor médico da Casa Branca, Anthony Fauci, alertou que, sem tomar medidas para impedir a disseminação do coronavírus, os Estados Unidos poderiam ter 100.000 casos por dia.

"Agora estamos tendo 40.000 novos casos por dia. Não ficaria surpreso se chegarmos a 100.000 por dia se isso não mudar", disse o especialista, que se recusou a projetar um número de mortes, em audiência perante o Comitê de Saúde e Educação do Senado.

Os Estados Unidos sofrem um crescimento exponencial de contágios, particularmente no sul e oeste do país, com vários estados que tiveram que interromper o desconfinamento.

Prova disso é a decisão de Nova York de exigir quarentena de visitantes da Califórnia, Nevada, Geórgia, Iowa, Idaho, Louisiana, Mississippi, Tennessee, Alabama, Arkansas, Arizona, Flórida, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Utah e Texas.

- Intimidação e negação -

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, denunciou a intimidação em países como China e Rússia no contexto da pandemia, e também a negação da crise em outros, como Brasil, Estados Unidos ou Nicarágua.

Em países como Brasil, Burundi, Nicarágua, Tanzânia e Estados Unidos "temo que as declarações que negam a realidade do contágio do vírus (...) intensifiquem a severidade da pandemia" e criticou outros como El Salvador pela "aplicação de medidas arbitrárias e excessivas", contra o coronavírus.

A União Europeia, com economia em declínio, abriu suas fronteiras nesta terça-feira para turistas de 15 países.

A lista, divulgada no início da crucial temporada de verão, inclui Argélia, Austrália, Canadá, Geórgia, Japão, Montenegro, Marrocos, Nova Zelândia, Ruanda, Sérvia, Coreia do Sul, Tailândia, Tunísia e Uruguai, o único país da América Latina. A China também está no rol, mas sob critérios de reciprocidade. Os Estados Unidos estão excluídos da lista.

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