Navigation

Oposição da Nicarágua sofre outro golpe após inibição de candidata a vice-presidente

Membros da chapa presidencial da CxL, o ex-guerrilheiro do chamado "Contra" Oscar Sobalvarro e a ex-rainha da beleza Berenice Quezada, falam à imprensa em Manágua em 2 de agosto de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. agosto 2021 - 00:48
(AFP)

O principal partido de oposição da Nicarágua sofreu outro revés nesta quarta-feira (4) após a inibição de sua candidata a vice-presidente, a ex-miss Berenice Quezada, em meio a uma onda de prisões e ações judiciais contra opositores, antes das eleições de novembro.

Quezada, candidata à vice-presidência do partido de direita Aliança Cidadãos pela Liberdade (CxL), foi inibida após o Ministério Público anunciar que ela será processada pelos crimes de "provocação, proposição e conspiração para cometer atos terroristas".

A Procuradoria informou que a acusação contra Quezada foi admitida na terça-feira por um tribunal de Manágua e que solicitou que o processo "seja conduzido em liberdade".

A lei nicaraguense proíbe que pessoas sob investigação judicial concorram a cargos eletivos.

Quezada havia sido registrada na segunda-feira no tribunal eleitoral como companheira de chapa do candidato à presidência Oscar Sobalvarro, um ex-guerrilheiro da extinta contra-revolução que os Estados Unidos financiaram na década de 1980 contra a revolução sandinista do atual presidente Daniel Ortega.

Mas declarações polêmicas que ela fez ao sair do tribunal chamaram a atenção de um grupo de apoiadores do governo, que na terça-feira a acusaram perante a Procuradoria de Direitos Humanos de "incitar ao ódio" e pediram sua inibição.

Na ocasião, ela defendeu a libertação dos "presos políticos" do governo e apelou ao povo para votar "como fez nas ruas" nos protestos antigovernamentais de 2018, cuja repressão deixou pelo menos 328 mortos e 2 mil feridos, de acordo com grupos humanitários.

Segundo o CxL, Quezada foi detida na terça à noite em sua casa pela polícia. Fontes do partido afirmam que sua prisão foi suspensa.

- Reorganização -

O partido opositor agora precisa correr contra o relógio para achar um substituto, em meio a temores de novas prisões e assédio contra seus membros.

O Conselho Superior Eleitoral (CSE) tem até 9 de agosto para validar, corrigir ou solicitar aos partidos a substituição de candidatos caso sejam impedidos de participar das eleições.

O CxL é projetado como principal opositor da Frente Sandinista (FSLN, de esquerda), que na segunda-feira nomeou Ortega para uma terceira reeleição consecutiva, junto com sua esposa, Rosario Murillo, como vice-presidente.

Pelo menos 31 líderes da oposição, incluindo sete pré-candidatos à presidência, foram detidos desde junho, acusados principalmente de "traição" à pátria.

Esse crime costuma ser imputado a quem incita a ingerência estrangeira e aplaude sanções internacionais adotadas contra Manágua desde 2018 por violação dos direitos humanos.

As prisões foram questionadas pela comunidade internacional, que pediu a libertação dos opositores e a realização de eleições transparentes na Nicarágua.

Uma das vozes críticas foi a do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, antigo aliado do sandinismo, que exortou Ortega a "não abrir mão da democracia".

"Quando a gente pensa que não tem ninguém para nos substituir, nós estamos virando ditadores", comentou Lula em entrevista ao canal mexicano TVT na semana passada.

Partilhar este artigo

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?