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Oposição nicaraguense anuncia ofensiva para derrubar Ortega

O secretário da Associação Nicaraguense de DDHH (ANPDH), Alvaro Leiva (E), relata a situação no país em entrevista coletiva na cidade de Manágua, no dia 26 de junho de 2018. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. junho 2018 - 22:11
(AFP)

A oposição nicaraguenses convocou nesta quarta-feira uma série de protestos contra o governo do presidente Daniel Ortega para forçar sua saída do poder, em meio à visita das missões de ONU e OEA.

A Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia - que reúne estudantes, empresários, camponeses e outros grupos da sociedade civil - convocou um plantão para esta quarta-feira e uma passeata para sábado, para recordar os mais de 212 mortos em dois meses de protestos.

"Estamos nos reorganizando porque isto não termina até que o ditador saia do poder", declarou um jovem com o rosto coberto durante entrevista coletiva na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN), onde estão entrincheirados dezenas de estudantes.

Governo e oposição retomaram na segunda-feira o diálogo em busca de uma saída para a crise, mas as negociações se estancaram com a negativa de Ortega de responder a proposta da Igreja para se antecipar as eleições de 2021 para março de 2019.

"Estamos em uma heroica batalha pela paz e o futuro do país", declarou à TV estatal Canal 4 a vice-presidente e mulher de Ortega, Rosario Murillo, 67 anos, que muitos identificam como o verdadeiro poder.

Ortega, um ex-guerrilheiro de esquerda de 72 anos, que conclui seu terceiro mandato consecutivo em janeiro de 2022, é acusado pela Aliança de reprimir brutalmente os protestos e instaurar o nepotismo e um governo autocrático.

"Que partam logo", dizia um enorme cartaz carregado por líderes estudantis e camponeses na UNAN aos gritos de "Justiça!".

A Aliança Cívica tenta aproveitar que missões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos estão no país, o que reduz o risco de repressão.

"A situação é muito preocupante (...) e esperamos realmente que acabe a violência de todas as partes e as violações dos direitos humanos. Esperamos encontrar uma solução pacífica para a crise na Nicarágua", declarou ao Canal 100% Notícias Alicia Londoño, integrante da missão da ONU.

Forças combinadas da polícia, parapoliciais e paramilitares continuam entrando em povoados e cidades para remover barricadas montadas por manifestantes, que têm paralisado o país.

O governo dos Estados Unidos pediu à Polícia da Nicaragua à devolução de patrulhas que vendeu ao país porque algumas "têm sido usadas para reprimir violentamente as vozes daqueles que protestam pacificamente", segundo um comunicado de sua embaixada em Manágua.

A Aliança convocou a população a comparecer nesta quinta-feira nas Igrejas com velas e fitas negras, e a cantar o hino nacional na sexta onde se encontrarem.

Para o sábado foi convocada a "Passeata das Flores" em memória dos jovens mortos, uma mobilização suspensa na semana passada devido a uma violenta incursão da polícia de choque e de paramilitares na UNAN e em alguns bairros da capital.

Segundo a Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH), ao menos 285 pessoas morreram - incluindo mais de 20 menores - desde o início dos protestos, em 18 de abril.

Já o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (CENIDH) verificou 212 óbitos.

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