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Oposição paraguaia quer forçar renúncia do presidente com mobilizações

Manifestação pedindo a renúncia do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, em 8 de março de 2021 em Assunção afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. março 2021 - 19:25
(AFP)

Com uma minoria no Congresso, a oposição busca forçar com mobilizações nas ruas a renúncia do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, a quem acusa de corrupção e ineficácia no manejo da pandemia de covid-19.

"Se os parlamentares não ouvirem o clamor popular, terão que partir também", alertou o líder opositor Efraín Alegre, presidente do Partido Liberal, a primeira minoria no Congresso, em declarações à AFP.

"As pessoas que se manifestam hoje são as que irão resolver o futuro do país", acrescentou o político, que, em 2018, perdeu as eleições presidenciais para Abdo.

Estudantes, trabalhadores e funcionários públicos, habitantes da zona urbana sem liderança política visível, convocaram um novo protesto nesta terça-feira, pelo quinto dia consecutivo, com o lema "até a saída de Marito", nome pelo qual o presidente, 47 anos, é popularmente conhecido. Eles o acusam pela falta de insumos para enfrentar a pandemia e falta de vacinas contra a covid-19.

Em várias cidades do interior do país também houve manifestações. Contingentes de camponeses organizados pararam a Rota Internacional, no norte, em linha com a reivindicação.

Um grupo de jovens da Federação de Estudantes Secundaristas chegou às proximidades da residência presidencial gritando palavras de ordem contra o governo.

A tropa de choque da polícia bloqueou as avenidas ao redor da casa do presidente e também a via que passa pela residência do ex-presidente Horácio Cartes, também alvo de hostilidades da oposição.

"Os que hoje se mobilizam são, em sua maioria, cidadãos da classe média, que raramente saem às ruas. As pessoas se cansaram das negociatas escandalosas e dos roubos em nome da pandemia", declarou o senador do Partido Liberal Victor Ríos.

O chefe de Estado conquistou o apoio dos dissidentes de seu partido Colorado, liderado pelo influente empresário e ex-presidente Horacio Cartes, para bloquear momentaneamente qualquer pedido de impeachment.

No entanto, para apaziguar a fúria popular que resultou em confrontos com a polícia na última sexta-feira, ele trocou quatro ministros, incluindo o da Saúde, "por uma questão de pacificação".

O opositor Alegre acredita que o respaldo do partido no poder ao presidente pode ser momentâneo e evocou o que aconteceu em abril de 2017, quando milhares de cidadãos marcharam e incendiaram parcialmente o prédio do Congresso para protestar contra a pretensão de reeleição de Cartes (2013-2018).

Após os distúrbios, o Senado voltou atrás com uma emenda à Constituição para permitir a reeleição que estava prestes a ser aprovada.

- "Reação contra a corrupção" -

A justificativa para esses protestos "é eminentemente ética", considerou o analista político Carlos Mateo Balmelli. As manifestações "não são lideradas por dirigentes sindicais de trabalhadores ou camponeses. Esses protestos não buscam uma reivindicação política, uma luta pela liberdade ou pelo poder. É uma simples reação contra a corrupção que se aproveita da pandemia", disse à AFP.

Para Balmelli, o Paraguai não lidou bem com a pandemia, apesar dos elogios que recebeu em 2020 de governos e organizações internacionais.

"A quarentena precoce e prematura de sete meses fatigou o povo. Levou muitos à ruína econômica. Não impediu os contágios, que, hoje, alcançam seus níveis mais altos. Os remédios são escassos e há claras denúncias de corrupção. A política local tornou-se obscena. É isso que provoca a fúria do povo", resumiu.

Com 7 milhões de habitantes, o Paraguai se aproxima de 170.000 casos e ultrapassa 3.300 mortes por covid-19.

O Governo recebeu até agora 4.000 doses da vacina Sputnik V, há 10 dias, e 20.000 doses da chinesa CoronaVac, doadas no sábado passado pelo governo chileno de Sebastián Piñera em um gesto de ajuda a Abdo.

Ainda são aguardados 4 milhões de imunizantes por meio do sistema Covax da Organização Mundial de Saúde e 1 milhão de vacinas russas.

O Ministério da Saúde declarou "alerta vermelho" sanitário "devido ao imprevisto aumento de casos" de covid-19 e urgiu os cidadãos a tomarem precauções para evitar riscos.

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