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Organizações sociais ganham espaço no Chile na ausência de líderes em protestos

Manifestantes erguem bandeira chilena em Santiago, em 8 de novembro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 12. novembro 2019 - 18:52
(AFP)

Durante essas quase quatro semanas de protestos no Chile, não há um único líder visível. Várias organizações sociais aparecem por trás das multitudinárias convocações, das quais os partidos políticos tradicionais foram completamente marginalizados.

Bandeiras chilenas, das comunidades indígenas mapuche, lenços verdes a favor do aborto livre, ou de cor violeta com o slogan "NemUmaAMenos" inundam as marchas gigantescas que começaram a surgir em 18 de outubro e que parecem não ceder após quase um mês de revolta.

Ninguém carrega emblemas de partidos políticos, e seus representantes optaram por manter distância, temendo ser um mau momento para ficar entre as milhares de pessoas que decidiram se manifestar nas ruas do Chile por reformas sociais.

"Estamos diante de um fenômeno, em que a figura do líder tradicional está em segundo plano", disse à AFP o pesquisador Antoine Maillet, do Centro de Estudos de Conflitos e Coesão Social (Coes) e acadêmico do Instituto de Assuntos Públicos da Universidade do Chile.

"Talvez também devêssemos sair da figura do líder heroico, que carrega a massa atrás dele, já que cada um dos manifestantes é seu próprio líder e tem uma história para contar", acrescenta.

Os protestos não começaram com reivindicações claras. No decorrer do tempo, porém, passaram a incluir uma lista de demandas sociais: desde reformas políticas profundas, com uma nova Constituição, até leis especiais para financiar tratamentos contra o câncer, passando pelo perdão das dívidas de estudantes universitários, pelo fim da cobrança de pedágio urbano e por um novo sistema previdenciário, entre outros pontos.

- Convocação reúne mais de 100 entidades

Na maioria dos casos, a multidão foi convocada pelas redes sociais, com atrativos slogans que remetem à última grande manifestação de sexta-feira no centro de Santiago. Nesta data, os jovens mostraram grande organização e criatividade, sem que ninguém reivindicasse a liderança da gigantesca mobilização social.

Naquele dia, sem aviso prévio, uma enorme bandeira chilena foi colocada entre os manifestantes, para renomear a Praça Itália como "Praça da Dignidade".

Até o momento, nenhum grupo assina as convocações que circulam diariamente no Whatsapp, Facebook, ou no Twitter.

Nos últimos dias e após várias passeatas, contudo, algumas organizações sociais ganharam visibilidade para canalizar demandas. Na maioria das vezes, já estavam se organizando antes do colapso social de 18 de outubro, mas com baixo impacto. Depois disso, seu vigor foi reativado.

Uma convocação de greve nacional para esta terça reúne mais de 100 organizações, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Colégio de Professores e a Associação Nacional de Funcionários Fiscais. Com baixa adesão no passado, estas associações ganharam novo fôlego em nome de um movimento que, segundo todas as pesquisas, tem mais de 70% de apoio da opinião pública.

Na semana passada e por vários dias, também emergiu com força a organização "NO+TAG". Exigindo o fim dos pedágios urbanos, conseguiu reunir motoristas e caminhoneiros e bloquear várias estradas.

Os prefeitos de várias localidades de Santiago – como os dos setores periféricos de Puente Alto, ou Renca – também ganharam visibilidade. O grupo conseguiu reunir uma das mais importantes petições resultantes das marchas e convocou um plebiscito para a primeira semana de dezembro. Nesta data, vão tratar das principais demandas dos cidadãos.

"Os prefeitos fizeram a diferença, mas precisávamos de que o movimento fosse encaminhado com uma frente de prefeitos, por exemplo", disse Lucía Dammert, acadêmica da Universidade de Santiago.

É um mistério quem eles são e como são organizados os grupos de mascarados que provocam um alto nível de violência ao final das manifestações pacíficas.

"Isso é parte do problema. Sabemos muito pouco quem eles são e o que os move, e é difícil (obter dados), porque também é difícil abordá-los", afirma Maillet.

Após a manifestação de sexta-feira, quando se ateou fogo a uma casa de 1915, sede da Universidade de Pedro de Valdivia, a polícia prendeu um estudante de 19 anos – sem antecedentes criminais – e o identificou como um dos que iniciaram as chamas.

A polícia também identificou grupos de criminosos comuns que estão agindo por trás dos saques.

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