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Panamá vai às urnas neste domingo com disputa acirrada

Presidente panamenho Juan Carlos Varela durante cerimônia na qual a Corte Eleitoral assume o comando das forças de segurança antes das eleições de domingo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 03. maio 2019 - 14:30
(AFP)

Panamá celebrará neste domingo (2) eleições gerais nas quais um candidato independente ameaça sair à frente diante do cansaço crescente dos eleitores com uma classe política salpicada por escândalos de corrupção.

Sete candidatos aspiram à Presidência, mas as pesquisas de intenção de voto apontam como favoritos o empresário pecuarista Laurentino Cortizo (Partido Revolucionário Democrático, social-democrata) e o ex-chanceler e advogado Rómulo Roux (Mudança Democrática, direita).

Perto deles, em terceiro lugar, aparece o independente Ricardo Lombana, que capitalizou a insatisfação com a corrupção da classe política.

Na pesquisa do instituto espanhol GAD3, publicada há algumas semanas pelo jornal La Prensa, Cortizo tinha intenção de voto de 27,9%, Roux de 16,9% e Lombana de 15,3% (com 2,9 pontos de margem de erro), enquanto indecisos somavam 15,2%.

"Acho que a poucos dias das eleições ainda há muita gente indecisa e, portanto, em 5 de maio qualquer coisa pode acontecer", disse à AFP Rita Vásquez, diretora do jornal La Prensa.

El vencedor substituirá o presidente Juan Carlos Varela, que deixará o governo com popularidade em baixa devido à desaceleração econômica, ao aumento do custo de vida, à sensação de corrupção e à crise de setores como saúde pública e justiça.

Cortizo, de 66 anos, foi ministro do ex-presidente Martín Torrijos (2004-2009), mas renunciou por controvérsias com o Acordo de Livre-Comércio entre Panamá e Estados Unidos.

Seu plano de governo é focado principalmente em melhorar a educação, reformar o Estado, impulsionar a economia, combater a pobreza e a desigualdade e melhorar a transparência governamental.

Roux, de 54 anos, ex-chanceler e ex-ministro do Canal do governo do hoje preso ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), focou sua campanha na reativação econômica, na criação de empregos, a redução de impostos e a destacar as conquistas que, para ele, a gestão de Martinelli teve.

- Independente -

Foram convocados 2,7 milhões de panamenhos para eleger presidente, 71 deputados, 82 prefeitos e outros 700 cargos locais.

As eleições ocorrem em meio a um crescente repúdio à classe política por vários escândalos de corrupção na Assembleia Nacional, onde deputados que acompanham Cortizo e Roux são apontados por suposto desperdício de dinheiro público.

Além disso, o Panamá foi afetado nos últimos anos por escândalos como os chamados "Panama Papers", ou propinas da fabricante brasileira Odebrecht.

Esse tédio provocou um aumento nas chances de Lombana, que alcançou o terceiro lugar na corrida presidencial com um discurso feroz contra a corrupção e a liderança partidária.

Advogada e jornalista de 45 anos, Lombana propõe convocar um referendo para uma nova Constituição que subtrai o poder do presidente, limita o uso de fundos públicos e reforma da justiça. Também quer aumentar as penalidades por corrupção e evitar a prescrição deste tipo de crime.

"Ricardo Lombana alcançou crescimento para um candidato independente que não tinha conseguido antes, a ponto de ter se colocado como uma opção viável para um grande número de eleitores. Conseguiu capturar o voto de protesto, aquele que quer que o status quo mude", disse Vásquez.

"O contexto de escândalos de corrupção no país é favorável para os candidatos de livre postulação em todos os níveis", disse à AFP o diretor do Centro Internacional de Estudos Políticos e Sociais, Harry Brown.

- O peso de Martinelli -

O outro fator é o empate eleitoral que ainda pode ter o ex-presidente Martinelli, processado sob a acusação de espionar os oponentes durante seu governo.

Apesar de estar preso e também de ser investigado por escândalos de corrupção, o ex-presidente aspirava à Prefeitura da Cidade do Panamá e ao cargo de deputado, mas ambas as candidaturas foram anuladas na semana passada pelo Tribunal Eleitoral.

Alguns analistas acreditam que essa decisão pode "vitimizar" Martinelli, que liderava as eleições para prefeitos, e catapultar seu aliado Roux.

O ex-mandatário solicitou diretamente o voto para o seu "afilhado", apesar das diferenças que surgiram entre os dois dentro do partido nos últimos anos.

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