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Para especialistas, califado é uma ameaça à Al-Qaeda

(11 jun) Imagem do site Welayat Salahuddin mostra jihadistas que teriam tomado uma base do Exército iraquiano no norte do país afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. junho 2014 - 20:31
(AFP)

A proclamação por jihadistas sunitas da criação de um califado nas zonas conquistadas de Iraque e Síria representa uma ameaça à existência da rede Al-Qaeda, consideram os especialistas.

Frente ao líder do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que a partir de agora se chama Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, proclamado "califa Ibrahim", o egípcio Ayman al-Zawahiri, sucessor de Osama Bin Laden, perdeu força, sobretudo aos olhos das jovens gerações atraídas ou fascinadas pela jihad.

Desde 2013, o chefe do EIIL rejeitava a sua autoridade.

"A competição (entre os dois movimentos) está em andamento, e vamos ver quem é que vai ditar a ordem", afirma Magnus Ranstorp, pesquisador do islamismo radical no Swedish National Defence College.

"Baghdadi, que negou fidelidade à Zawahiri, pode agora dizer: olhem para o que estamos fazendo! Agimos, construímos o califado. Vocês estão distantes, fazendo discursos na internet".

"O califado sempre foi o objetivo final", acrescenta. "O EIIL começou a construí-lo, e isso vai trazer-lhes energia extra. Eles controlam um território. É por isso que muitos voluntários vêm de todo o mundo, via Síria, é por isso que há muitas mulheres entre eles. O gênio saiu da garrafa, e é impossível fazê-lo voltar".

Uma questão de tempo

Na proclamação da criação do "Estado Islâmico", amplamente difundida na internet, o porta-voz do EIIL, Abu Mohammad al-Adnani, foi claro: ele anunciou o início de "uma nova era para a jihad internacional".

"Informamos a todos os muçulmanos que, com a declaração do califado, agora é obrigatório jurar sua fidelidade ao califa Ibrahim e apoiá-lo. A legalidade de todos os emirados, grupos, organizações e Estados torna-se zero no momento da expansão do califado e com a chegada de suas tropas em seus territórios".

Um anúncio ao qual um primeiro grupo de insurgentes islâmicos na Síria, o Jeish al-Sahaba ("Exército de Companheiros") respondeu imediatamente. Ele publicou no mesmo dia no Twitter um comunicado anunciando sua dissolução e a sua integração às forças do novo califa.

Em uma análise enviada por e-mail, Charles Lister, pesquisador associado ao Brookings Doha, escreveu: "Abu Bakr al-Baghdadi declarou guerra à Al-Qaeda. Mesmo que seja inevitável que líderes da Al-Qaeda e seus partidários denunciem Baghdadi e sua proclamação, a longo prazo as repercussões serão significativas".

"A nova geração de jihadistas apoia cada vez mais o EIIL, principalmente devido a sua comprovada capacidade de obter resultados rápidos por sua brutalidade", diz ele. "A recente tomada de Mossul e suas outras conquistas no Iraque aumentaram dramaticamente o potencial de recrutamento do EIIL", ressaltou.

É provável que outros movimentos filiados à Al-Qaeda, cujos líderes prometeram lealdade a Zawahiri, mantenham-se fiéis ao seu juramento, pelo menos inicialmente. Mas, se o califa Ibrahim conseguir manter o seu poder sobre os territórios que ele conquistou entre a Síria e o Iraque, e repelir o contra-ataque de Bagdá, apoiado pelas forças xiitas e os Estados Unidos, o prestígio será tamanho que as manifestações de união podem se multiplicar, de acordo com os especialistas.

"Em sua proclamação, o Estado Islâmico deixou claro que consideraria qualquer grupo que se recusasse a jurar fidelidade como um inimigo do Islã", acrescenta Charles Lister.

Nas áreas mantidas pelos rebeldes na Síria, os confrontos entre o EIIL e outros grupos radicais que contestam seu poder deixaram milhares de vítimas nos últimos meses.

Para Anur al-Eshki, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos em Jidá (Arábia Saudita), é apenas uma questão de tempo. "Daesh (sigla do EIIL em árabe) vai competir com a Al-Qaeda. É como Pacman: ele devora todos os grupos terroristas em seu caminho".

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