Navigation

Premier do Iraque acha necessária solução política para a crise

Maliki (d) recebe Hague em Bagdá afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. junho 2014 - 15:33
(AFP)

O primeiro-ministro iraquian,o Nuri al-Malik,i afirmou pela primeira vez nesta quinta-feira que uma solução política, paralela à ação militar, é necessária para pôr fim à crise que o país atravessa desde o início da ofensiva dos jihadistas sunitas.

Maliki, que fez estas declarações durante um encontro com o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, parece que finalmente está cedendo aos pedidos da comunidade internacional para a formação de um governo de unidade nacional para tirar o país da crise.

A visita de Hague à Bagdá acontece após a de seu colega americano John Kerry. Os Estados Unidos e seus aliados trabalham há dias para convencer os líderes iraquianos da necessidade de se unirem para combater a ofensiva lançada em 9 de junho pelos insurgentes sunitas liderados pelos jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL).

"Devemos avançar por duas vias paralelas [...] a primeira é o trabalho em terreno e as operações militares [...] e a segunda é a continuação do processo político e a reunião do parlamento para escolher um chefe do parlamento, um presidente e formar um governo", declarou Maliki

O Parlamento eleito foi convocado a se reunir dia 1º de julho, segundo um comunicado oficial da presidência da República.

Até o momento, Maliki dizia que resolveria militarmente a crise, nascida da ofensiva dos jihadistas que tomaram em poucos dias grandes áreas ao norte, a oeste e a leste de Bagdá.

Kerry sexta-feira na Arábia Saudita

No poder desde 2006, Maliki, um xiita, é criticado por sua política religiosa que marginaliza a minoria sunita, o que alimentou o conflito atual, e seus adversários, incluindo xiitas, o acusam de querer monopolizar o poder.

Seu bloco político venceu as eleições legislativas de abril, mas sem uma maioria, e desde então não conseguiu formar uma coalizão dada as profundas divergências com as demais forças políticas.

As declarações de Maliki se opõem às advertências lançadas na quarta-feira a seus rivais políticos, contra toda tentativa de afastá-lo do poder, e sua denúncia de "um golpe de Estado contra a Constituição e o processo político".

Em sua chegada à Bagdá, Hague afirmou, segundo um comunicado do Foreign Office, que "o Estado iraquiano enfrenta uma ameaça a sua existência" e que "o fator que determinará se o Iraque superará ou não este desafio é a unidade política".

Dando prosseguimento a sua missão sobre o Iraque, Kerry visitará na sexta-feira a Arábia Saudita, país que acusa Maliki de conduzir o país á beira do abismo com sua política de exclusão dos sunitas.

"A formação de um governo é o nosso principal desafio", declarou durante sua visita ao Iraque no início da semana.

Barzani em Kirkuk

Desde 9 de junho os insurgentes controlam Mossul, segunda maior cidade do Iraque, grande parte da província onde fica localizada, além de Nínive (norte), Tikrit e zonas das províncias de Saladino (norte), Diyala (leste), Kirkuk (norte) e Al-Anbar (oeste), na fronteira com a Síria, onde têm quatro cidades em seu poder.

Nesta quinta-feira, o Exército iraquiano lançou uma operação em Tikrit e recuperou o controle sobre a universidade desta cidade do norte do Iraque

Dezenas de membros das forças de segurança chegaram em helicópteros na cidade onde nasceu Sadam Hussein, o líder iraquiano derrubado após a invasão americana de 2003.

Após as deserções em massa das forças iraquianas nos primeiros dias de ofensiva, os militares, com o apoio de voluntários e tribos pró-regime, ainda têm dificuldades de frear os progressos dos insurgentes.

Diante da retirada do Exército de Kirkuk e do medo de um ataque dos insurgentes, as forças curdas assumiram pela primeira vez o controle desta cidade multiétnica e disputada, que recebeu a visita nesta quinta-feira do presidente da região autônoma do Curdistão, Massud Barzani.

O líder curdo garantiu que suas forças farão tudo para proteger Kirkuk.

Após mobilizar milhares de seus partidários contra os insurgentes, o influente líder xiita Moqtada al-Sadr, aliado do Irã xiita, prometeu "fazer a terra tremer sob os pés da ignorância e do extremismo".

Segundo o New York Times, o Irã mobilizou secretamente drones de observação no Iraque e um comboio militar por via aérea.

Esta ofensiva jihadistas já deixou quase 1.100 mortos, milhares de deslocados e ameaça mergulhar o país no caos.

Nesta quinta-feira, um atentado suicida em um mercado em um bairro xiita do norte de Bagdá fez ao menos 19 mortos, segundo fontes médicas e da segurança.

A explosão, que também fez 34 feridos, aconteceu no mercado de Bab al Darwaza em Kadimiya, onde há um templo xiita muito visitado.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.