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O premier do Iraque, Nuri al-Maliki

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O primeiro-ministro iraquiano aumentou um pouco mais as divisões que minam o país ao acusar nesta quarta-feira os curdos de protegerem jihadistas, ignorando os apelos em favor da unidade para lidar com a ofensiva dos insurgentes sunitas, que levou o Iraque à beira do abismo.

Ao acusar a região autônoma do Curdistão de abrigar insurgentes sunitas, Nuri al-Maliki, um xiita, se expõe às críticas ao revelar claramente sua política religiosa. Desta forma, corre o risco de comprometer o terceiro mandato pelo qual briga.

Apesar de o apoio curdo não ser necessário para formar um governo, é essencial para construir uma frente unida contra os insurgentes.

Um mês após o lançamento de uma ofensiva esmagadora, que permitiu os insurgentes sunitas tomar o controle de grandes áreas do território, obrigando milhares de iraquianos a fugir, e o Estado Islâmico (EI) a instaurar um califado em uma região que se estende entre a Síria e o Iraque, os líderes políticos são incapazes de unir suas forças.

Dividido, o Iraque enfrenta uma paralisia política há anos, somada a um aumento da violência. Uma situação que culminou na ofensiva dos jihadistas ultrarradicais do EI, e que fez a comunidade internacional e líderes religiosos iraquianos multiplicar os apelos pela unidade do país.

Mas a partição do Iraque parece o mais provável, principalmente após o anúncio pelo presidente do Curdistão iraquiano, Massud Barzani, de um projeto de refendo de independência.

Maliki rejeitou a iniciativa e declarou nesta quarta-feira que não pode "ficar quieto ante o fato de que Erbil (a capital do Curdistão iraquiano) se tornou um quartel general para o Estado Islâmico, para o Partido Baath (ex-partido de Saddam Hussein), para a Al-Qaeda e para operações terroristas".

"Os insurgentes serão destruídos, assim como aqueles que os protegem, porque não conseguiram dar o exemplo de parceria democrática", advertiu.

Essas novas declarações devem dificultar ainda mais a tarefa do Parlamento, que se reunirá no domingo para iniciar o processo de formação de um governo após uma primeira sessão que terminou em meio ao caso e insultos.

Mais de 50 cadáveres descobertos

Mais de dois meses após as eleições legislativas de 30 abril vencidas pelo bloco de Maliki, os parlamentares não conseguem chegar a um acordo sobre a nomeação de um primeiro-ministro. Este cargo, o mais importante das instituições, deve ser ocupado, segundo uma regra não escrita, a um xiita, enquanto que os sunitas ocupam a presidência do Parlamento e os curdos a da República.

Mas as divisões religiosas estão cada vez mais profundas e fazem temer um retorno às atrocidades cometidas durante o conflito confessional que fez milhares de mortos entre 2006-2007.

Nesta quarta-feira, as forças de segurança iraquianas encontraram os corpos de 53 homens, executados e com as mãos atadas, perto de Hilla na região central do país.

Os corpos apresentavam marcas de tiros na cabeça ou no tórax. De acordo com um legista, as mortes aconteceram há pelo menos uma semana.

Os motivos do massacre ainda não foram determinados.

A província de Babil, que tem Hilla como capital, é cenário de combates desde o início da ofensiva, em junho, dos insurgentes sunitas, mas não haviam sido registrados combates na área em que os corpos foram localizados.

Apesar da ajuda fornecida pelos Estados Unidos, Rússia e milícias xiitas, o Exército iraquiano não consegue se reerguer após a debandada em massa nos primeiros dias da ofensiva jihadista.

As tropas tentam, sem sucesso, há quase duas semanas retomar Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein.

Além disso, os insurgentes tomaram o controle de um antigo depósito de armas químicas no Iraque da época de Saddam Hussein, derrubado em 2003 pela invasão americana, segundo uma carta do governo iraquiano à ONU.

O departamento de Estado americano havia anunciado em junho a tomada pelos jihadistas desta usina, mas Washington considerou que o local não estaria em condições de produzir armas químicas, em razão da antiguidade de seus aparelhos e produtos.

AFP