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Presidente do Chile troca ministros, incluindo polêmico chefe de gabinete

Manifestação em Valparaiso, Chile, em 27 de outubro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. outubro 2019 - 17:27
(AFP)

O presidente Sebastián Piñera anunciou, nesta segunda-feira (28), a troca de oito de seus ministros, entre eles o controverso chefe de gabinete, Andrés Chadwick, enquanto outros 16 foram confirmados no cargo.

Ex-decano da Escola de Governo da Universidade Adolfo Ibáñez, o economista liberal Ignacio Briones, de 46, assume como ministro da Fazenda, no lugar de Felipe Larraín. Este último foi duramente questionado por sua recomendação "aos românticos", ao anunciar em setembro que o Chile não havia registrado inflação, para que comprassem flores. Segundo Larraín, até o valor das flores havia caído.

As nomeações incluem Gonzalo Blumel como o novo chefe de gabinete, depois de servir como ministro secretário-geral de governo, um dos nomes mais carismáticos e o mais jovem do gabinete, com 41 anos.

"É alguém que se caracteriza por ser bastante aberto ao diálogo", afirmou o presidente do partido democrata-cristão (oposição), Fuad Chahín, em uma primeira reação ao nome de Blumel.

A ex-intendente de Santiago, a médica Karla Rubilar, de 42, que teve uma elogiada participação nos recentes protestos, assumiu como porta-voz do Executivo. Ela substitui Cecilia Pérez, que passou para a pasta dos Esportes.

O ex-líder do movimento estudantil "pinguim de 2006" Julio Isamit assumiu a pasta de Bens Nacionais, enquanto a ex-subsecretária de Proteção Social María José Zaldívar ficará no Ministério do Trabalho.

O ex-subsecretário de Obras Públicas Lucas Palacio assumiu a Economia, no lugar de Andrés Fontaine, criticado por pedir à população "para acordar mais cedo". A sugestão foi uma forma de enfrentar a alta no bilhete de metrô no horário de maior fluxo.

O ex-ministro de Bens Nacionais Felipe Ward será ministro secretário da Presidência.

"O Chile não é o mesmo que tínhamos há duas semanas. O Chile mudou, e o governo também tem que mudar e enfrentar estes novos desafios e estes novos tempos", repetiu o presidente na cerimônia de posse de novos ministros.

Foram mantidos, porém, o ministro das Relações Exteriores, Teodoro Ribera; o da Defesa, Alberto Espina (questionado pela atuação das Forças Armadas durante o estado de emergência); a ministra dos Transportes, Gloria Hutt (rejeitada por afirmar que não era possível baixar as tarifas do metrô); e a ministra da Educação, Marcela Cubillo, em uma permanente queda de braço com o movimento estudantil.

"Não há nenhum sinal de que querem, de fato, fazer mudanças", criticou o senador do Partido Socialista Carlos Montes, da oposição.

- Convocações de protesto continuam

Dois dias depois de pedir a renúncia de todos os seus ministros, Piñera divulga os nomes da nova equipe, com a qual espera enfrentar o despertar em massa da população. Com protestos que já deixaram 20 mortos e milhares de feridos, os chilenos questionam o modelo socioeconômico adotado no país.

A profundidade das mudanças e o giro do presidente em sua equipe de colaboradores pode aliviar a tensão, ou, no sentido contrário, aumentar a insatisfação da população. A crise explodiu em 18 de outubro, inicialmente pela alta no preço do bilhete do metrô.

Enquanto Piñera ajusta o governo, os chamados a manifestações se multiplicam. Além disso, espera-se a chegada de uma missão da ONU para verificar denúncias de violações dos direitos humanos em meio a uma profunda crise social.

Nesta segunda-feira, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) junto com dezenas de organizações sociais voltaram a convocar uma "greve nacional".

Cerca de mil pessoas enfrentaram hoje homens do Batalhão de Choque na frente do Palácio presidencial La Moneda, no centro de Santiago.

"Piñera, escucha, andate a la chucha [escute, vá para o inferno]", gritaram os manifestantes, recebidos com gás lacrimogêneo e jatos d'água pela polícia.

Também hoje, os militares deixaram as ruas. À meia-noite, foi suspenso o estado de emergência que havia sido decretado por Piñera para enfrentar a onda de protestos e os ataques ao transporte público e aos estabelecimentos comerciais, sobretudo, nos primeiros dias.

Santiago e outras cidades enfrentam este primeiro dia, após o fim do estado de emergência, com grandes engarrafamentos nas ruas e filas nos postos de gasolina, que voltaram a funcionar. Pelo menos 78 postos na capital foram danificados, ou incendiados, com prejuízos estimados em mais de US$ 300 milhões pelo governo.

A maioria das escolas retomou as aulas, embora algumas instituições tenham preferido funcionar apenas em apenas um dos turnos. O comércio também abriu as portas, mas alguns shoppings, como o Costanera Center, o maior da cidade, permanecem fechados.

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