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Presidente peruano pede investigação de abordagem mortal em boate

Os corpos de pelo menos 13 pessoas que morreram asfixiadas em uma festa no Peru são levados do local afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. agosto 2020 - 23:47
(AFP)

O presidente peruano, Martín Vizcarra, pediu nesta segunda-feira (24) uma investigação da morte de 13 pessoas devido a uma confusão provocada durante uma ação policial em uma festa proibida em uma boate de Lima.

"Exortamos as autoridades competentes a realizarem uma rigorosa investigação e as sanções correspondentes aos responsáveis", disse Vizcarra sobre o trágico desenlace da festa celebrada na noite de sábado na boate, violando as restrições vigentes pela pandemia de COVID-19.

O tumulto ocorreu quando a polícia, alertada por vizinhos, invadiu o local para encerrar a festa.

"Fatos lamentáveis como os que ocorreram no sábado não devem se repetir. É a vida que está em jogo e não podemos permitir que se ponha em risco desta maneira", reforçou Vizcarra, sem fazer alusão à suposta responsabilidade dos policiais nas mortes, como alegam as famílias das vítimas.

Os 13 corpos, onze dos quais testaram positivo para o novo coronavírus, segundo a promotoria, deviam ser entregues às famílias nesta segunda-feira, após a realização de necropsia no necrotério central de Lima.

Entre os mortos há 12 mulheres, com idades entre 20 e 30 anos.

A entrega dos cadáveres demorou devido aos protocolos especiais do estado de emergência sanitário, que estabelece um prazo de 36 horas após a morte para começar a determinar a causa do falecimento.

O prazo tem como objetivo evitar que os legistas se infectem com o coronavírus ao manipular os corpos.

"Lembrem que esta necropsia tem um tempo", disse o médico Jorge Luis Vásquez, do necrotério limenho, ao canal de televisão América.

Do lado de fora do necrotério, familiares aguardavam desde cedo, entre resignados e indignados.

"Os policiais a mataram e ninguém vai devolvê-la para mim", disse Raquel Osco, mãe de uma jovem de 24 anos, que morreu na boate, ao canal digital do jornal La República.

O Ministério do Interior anunciou uma investigação para verificar se a polícia cumpriu os procedimentos previstos nas intervenções em locais públicos. a Polícia negou irregularidades.

O casal proprietário da boate foi detido, acrescentou a polícia.

Quinze dos 23 detidos que testaram positivo para a COVID-19 em exames de descarte foram levados ao hospital da Vila Pan-americana.

A confusão na boate Thomas Restobar, do populoso distrito de Los Olivos, ao norte de Lima, ocorreu quando a polícia entrou para acabar com a festa, onde havia 120 pessoas.

A imprensa local destacou que vários dos participantes tinham antecedentes criminais e por isso decidiram fugir antes de ser capturados.

No Peru, as festas e reuniões sociais ou familiares estão proibidas por causa da pandemia, que contagiou mais de 600.000 pessoas e matou 27.813, segundo um balanço oficial.

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