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Principais partidos da oposição venezuelana acordam boicote a legislativas

Homem com máscara e luvas passa em frente a um mural retratando o falecido presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Caracas, 28 de julho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 02. agosto 2020 - 20:40
(AFP)

Os principais partidos da oposição na Venezuela acordaram não participar das eleições parlamentares de 6 de setembro, após considerar que o processo será uma "fraude" que impedirá uma "eleição livre e competitiva", anunciaram neste domingo (2) em um comunicado conjunto.

"As organizações políticas democráticas da Venezuela manifestam ao povo venezuelano e à comunidade internacional que, de forma unânime, decidem não participar da fraude eleitoral convocada pelo regime de (Nicolás) Maduro", diz o texto, assinado por 27 organizações.

Isto, "tendo esgotado todos os nossos esforços" para "um processo eleitoral competitivo, que garantisse o respeito à vontade soberana do povo", acrescentou o texto, onde se estabelece o "apoio" da Assembleia Nacional, o único poder nas mãos da oposição, e o líder parlamentar, Juan Guaidó.

Do comando do Parlamento, Guaidó reivindicou em janeiro de 2019 a presidência interina da Venezuela, que teve o reconhecimento de meia centena de países, liderados pelos Estados Unidos; depois que a maioria opositora da Câmara declarou Maduro um "usurpador", acusando-o de ter sido reeleito em 2018 de forma fraudulenta.

"Esta nova farsa está condenada ao fracasso (...) Sabemos que não é suficiente rejeitá-la, é chave permanecer unidos, exercendo a maioria em meio à emergência e junto à pressão internacional, poder acabar com a tragédia que a ditadura gerou", escreveu Guaidó no Twitter.

Em mensagem na mesma rede social, o deputado Henry Ramos Allup, assinou, em nome da Ação Democrática, partido fundado há 79 anos, a "declaração conjunta" que estabelece a decisão de não participar de uma "fraude" convocada "através de seus instrumentos ilegítimos".

A oposição acusa Maduro, sob cuja gestão o país com as maiores reservas de petróleo do mundo mergulhou na pior crise de sua história recente, de usar "o controle que exerce sobre todos os poderes públicos" para acabar "com a possibilidade de ter qualquer tipo de eleição livre e competitiva".

Eles rejeitam a nomeação, em 12 de junho, pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) - de orientação chavista - da dirigência do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), chefiada por Indira Alfonzo, ex-magistrada sancionada pelo Canadá.

Com a oposição marginalizada, a situação tem o caminho livre para recuperar o controle legislativo, perdido em dezembro de 2015.

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