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Principal laboratório de testes de COVID-19 na Bolívia está "colapsado"

(Arquivo) Mulheres esperam em fila para banco em El Alto, na Bolívia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. junho 2020 - 16:58
(AFP)

O principal laboratório que processa testes para diagnosticar casos de coronavírus na Bolívia está "em colapso" devido ao excesso de trabalho e falta de pessoal, enquanto os médicos de terapia intensiva alertam que haverá uma "emergência" se as projeções de contágios forem confirmadas até o final de julho.

A chefe do estatal Laboratório do Centro Nacional de Doenças Tropicais (Cenetrop), Yelín Roca, disse que a entidade "está em colapso", citada na terça-feira pelo jornal La Razón.

"A equipe está chateada, preocupada, porque não há equipe, não há reagentes, não há equipamentos e não podemos atender" a demanda, acrescentou Roca.

O Cenetrop funciona na cidade de Santa Cruz, no leste da Bolívia, uma região que concentra 63% das quase 14.000 infecções e 47% das 475 mortes no país.

O laboratório também deve processar testes provenientes da região amazônica de Beni (nordeste), que faz fronteira com o Brasil. O restante dos testes de diagnóstico são processados em La Paz.

No Cenetrop, existem cerca de 2.000 testes acumulados para verificar e muitas dessas amostras são empilhadas em recipientes de plástico.

Cerca de 1.000 amostras chegam ao laboratório todos os dias, mas apenas há capacidade para processar cerca de 500, segundo Roca, o que impede a confirmação ou exclusão de centenas de casos.

Além disso, ela disse que 40% dos quase 100 funcionários do Cenetrop contraíram o vírus ou foram retirados por serem idosos.

Enquanto isso, a Sociedade de Medicina Crítica e Terapia Intensiva se declarou "em emergência", alertando que seus profissionais não poderão enfrentar a pandemia se forem confirmadas as projeções oficiais de que até o final de julho a Bolívia teria cerca de 100.000 casos de coronavírus, o que deixaria entre 4.000 e 7.000 mortos.

"Nas condições atuais, não poderemos enfrentar as previsões do Ministério da Saúde", afirmou o presidente do grupo profissional, Adrián Ávila.

"Onde? Com quais equipamentos e recursos humanos vamos cuidar de milhares de pacientes gravemente enfermos? Não estamos em condições e nos declaramos em uma emergência nacional", acrescentou.

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