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Prisão de ex-assessor de Flávio Bolsonaro esquenta crise no país

O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e ex-policial Fabricio Queiroz, à direita, é visto ao chegar no Instituto Médico-Legal em São Paulo, em 18 de junho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 18. junho 2020 - 20:59
(AFP)

A prisão de um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, estreitou nesta quinta-feira o cerco em torno do presidente, que acumula reveses judiciais, em meio a uma instabilidade política agravada pela crise econômica e a pandemia do novo coronavírus.

Fabricio Queiroz, 54, foi preso na localidade de Atibaia, interior de São Paulo, na residência de um advogado que atua como defensor de Flávio Bolsonaro, indicou o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Segundo a imprensa, o advogado também presta serviços ao presidente Bolsonaro.

Queiroz é investigado por suposta participação "em um esquema de desvio de vencimentos de servidores do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro", ressaltou o MPSP. O Ministério Público do Rio de Janeiro, que conduz as investigações, informou que também busca a mulher de Queiroz, considerada fugitiva.

Segundo responsáveis pela investigação citados pela imprensa, quando a polícia chegou à propriedade, Queiroz estava dormindo e não ofereceu resistência. Os agentes apreenderam documentos e dois celulares. Em seguida, transferiram o ex-assessor para uma prisão no Rio de Janeiro.

O caso surgiu no final de 2018, quando o Controle de Atividades Financeiras (COAF), do Ministério da Fazenda, descobriu atividade atípica na conta de Queiroz entre 2016 e 2017, de um valor de R$ 1,2 milhões.

Flávio Bolsonaro afirmou no Twitter que encara "com tranquilidade" a investigação sobre o ex-assessor, ex-oficial da Polícia Militar, julgando tratar-se de um novo capítulo para "atacar (Jair) Bolsonaro".

"Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!", escreveu o filho do presidente.

Em dezembro do último ano, a polícia realizou operações em vários imóveis em nome de Flávio Bolsonaro, dos seus assessores da Assembleia Legislativa no Rio e da segunda ex-mulher do presidente, dentro da investigação deste esquema. Já nesse momento, o senador e primogênito de Bolsonaro denunciou uma "perseguição política" com o objetivo de "atingir o presidente".

Queiroz, que algumas linhas de investigação vinculam às temidas milícias que atuam no Rio de Janeiro, estava fora de localização há meses. Tanto o presidente quanto seus filhos, assim como o advogado em cuja casa ele foi localizado, diziam desconhecer seu paradeiro.

O atual advogado de Queiroz, Paulo Preta, afirmou, após visitar o cliente na prisão, que o mesmo não apresenta risco de fuga e que irá solicitar um habeas corpus para reverter a medida, que considerou "excessiva".

- 'Novo ingrediente' para a crise -

A prisão de Queiroz "não deixa de ser simbólica e joga um ingrediente adicional de instabilidade ao cenário, que está conturbado por uma instabilidade política, por uma crise econômica que se inicia, pela crise sanitária provocada pela pandemia e, claro, por outras denúncias e eventos envolvendo o presidente", explica à AFP Thiago Vidal, gerente do Núcleo de Análise Política da Prospectiva Macropolítica, em Brasília, da consultoria Prospectiva.

A operação policial ocorre no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) está avançando em investigações que envolvem empresários, políticos e blogueiros bolsonaristas, acusados de divulgar notícias falsas para promover ataques ao STF e orquestrar manifestações contra instituições democráticas.

Esta semana, a polícia prendeu vários apoiadores de Bolsonaro, por pedirem uma "intervenção militar" e atacarem o prédio do STF. O Congresso tem em suas mãos mais de trinta pedidos de impeachment contra Bolsonaro, embora nenhum tenha sido formalmente aceito até o momento pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

O presidente também está em conflito com os governadores dos maiores estados do país, a quem critica pela imposição das medidas de quarentena para enfrentar a pandemia de coronavírus, que vê como terríveis para a economia. O Brasil se tornou o segundo país com mais casos e mais mortes pela COVID-19 no mundo, atrás dos Estados Unidos.

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