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Procuradoria boliviana acusa Evo de terrorismo e volta a pedir sua prisão

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales, em entrevista coletiva, em Buenos Aires, em 21 de fevereiro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 06. julho 2020 - 22:59
(AFP)

A Procuradoria Geral da Bolívia acusou o ex-presidente Evo Morales, refugiado na Argentina, nesta segunda-feira por supostas infrações terroristas e seu financiamento, e novamente solicitou sua prisão preventiva.

A acusação formal contra Morales (2006-2019) é pelos "crimes de terrorismo e financiamento do terrorismo por supostamente ter coordenado" com um líder plantador de coca, por telefone "o bloqueio alimentar e o cerco das capitais durante os conflitos de 2019", afirmou a Procuradoria Geral em comunicado.

De seu exílio, o ex-presidente refutou a acusação: "De forma ilegal e inconstitucional, a Procuradoria de La paz pretende me acusar de terrorismo com um áudio alterado e sem ser notificado", escreveu no Twitter.

Morales considerou a acusação "uma prova a mais da sistemática perseguição política do governo de facto", em alusão à administração de Jeanine Añez. "Logo voltará a democracia e o Estado de Direito à Bolívia", afirmou.

É a segunda vez que a instituição judicial solicita a prisão de Morales. Em dezembro, solicitou sua prisão por sedição e terrorismo pelos mesmos eventos. Na época, anunciou que solicitaria sua prisão à Interpol, mas o processo não avançou.

Em fevereiro, o Ministério Público abriu outro processo contra o ex-presidente por suposta fraude eleitoral, mas até agora não houve avanços.

"Na resolução de imputação, é solicitada prisão preventiva" de Morales, que renunciou após 14 anos após intensos protestos nas ruas pelo o que a OEA chamou de irregularidades nas eleições de outubro de 2019, nas quais tentava um novo mandato até 2025.

Os procuradores baseiam sua acusação atual em perícias realizadas na Colômbia.

"As amostras têm uma alta probabilidade de identificar a voz do Sr. Evo Morales Ayma", segundo o comunicado. "Não deixe entrar comida nas cidades, vamos bloquear, cerco de verdade", diz a voz na suposta ligação do ex-presidente ao líder do plantador de coca Faustino Yucra Yarmi.

Ao apresentar a gravação em novembro, o ministro do Interior, Arturo Murillo, descreveu como "um crime contra a humanidade" ordenar que "não entre comida nas cidades".

Entre outubro e novembro, a Bolívia atravessou uma convulsão que resultou a morte de 36 pessoas após as eleições, que foram anuladas.

O Tribunal Supremo Eleitoral convocou novas eleições gerais para 3 de maio, adiadas para 6 de setembro devido à pandemia.

O candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, o economista Luis Arce, encabeça as pesquisas com 33,3% das intenções de votos, seguido do centrista Carlos Mesa, com 18,3%. A presidente Áñez é a terceira, com 16,9%, segundo pesquisas de março.

Morales denunciou na semana passada uma "estratégia judicial" do governo interino de direita para tornar seu partido ilegal e tirar da disputa eleitoral Arce, seu afilhado político.

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