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Produtores rejeitam volta de fumigação aérea de cultivos de coca na Colômbia

(Arquivo) Vista aérea de plantações de coca em Tumaco, Departamento de Narino, Colômbia, em 26 de fevereiro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. abril 2021 - 23:27
(AFP)

A principal associação de produtores de coca da Colômbia rejeitou nesta terça-feira (13) o plano do governo de retomar a fumigação aérea de plantações ilícitas e convocou protestos, sem especificar de que forma ou quando serão realizados.

"Expressamos nosso repúdio ao decreto", assinado nesta segunda-feira, "que retoma o programa de aspersões aéreas com glifosato nos territórios como ferramenta privilegiada da política antidrogas do governo", declarou a Coordenadoria Nacional de Cultivadores de Coca, Amapola e Maconha (Coccam) em comunicado.

A organização, que promoveu grandes passeatas contra a erradicação forçada há quatro anos, convocou as organizações sociais "para se manifestarem e se mobilizarem", pois considera que a fumigação aérea viola os acordos de 2016 com a guerrilha das FARC, que privilegia a substituição de cultivos ilícitos por outros legais.

"Não entendemos porque o governo nacional insiste em destruir o acordo de paz e pisar na confiança das comunidades", quando "98% das famílias inscritas" no programa de substituição de plantações ilícitas "cumpriram o acordo", afirmou a Coccam.

A pulverização de glifosato foi suspensa na Colômbia, o maior produtor de cocaína no mundo, em 2015, durante o governo de Juan Manuel Santos, sob suspeita de que poderia causar danos à saúde e ao meio ambiente.

Mas seu sucessor, Iván Duque, tem insistido em voltar a utilizar o método, que considera mais eficaz para erradicar os cultivos de drogas que alcançaram 154 mil hectares em 2019 no país, segundo a ONU.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa, Diego Molano, anunciou um decreto que regulamenta os riscos à saúde e ao meio ambiente. A aspersão só pode ser realizada "em áreas de cultivo extensas, industriais e onde há uma forte presença de grupos armados", explicou ele à W Radio.

Além disso, o texto prevê uma consulta às comunidades negras e indígenas que se encontram nos territórios afetados e verificações periódicas dos possíveis danos causados à saúde e ao meio ambiente pelo herbicida, classificado como "possivelmente" cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, antes de poder retomar as aspersões aéreas, o governo deve primeiro obter a aprovação do Conselho Nacional de Entorpecentes (CNE), que suspendeu a fumigação de plantações ilícitas com glifosato a pedido da justiça.

O anúncio chega em meio a um grave aumento da violência no país, que Duque atribui a grupos financiados pelo tráfico de drogas e a mineração ilegal em regiões remotas.

Após quase cinco décadas de combate ao narcotráfico, a Colômbia, envolvida em um conflito armado, continua a ser o maior produtor de cocaína do planeta e os Estados Unidos, seu principal consumidor.

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