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O presidente russo, Vladimir Putin, é visto em 8 de julho de 2014, em Novo-Ogaryovo, arredores de Moscou

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O presidente russo, Vladimir Putin, vai iniciar na sexta-feira um giro que o levará a Cuba, Brasil e Argentina, em busca do apoio latino-americano em seu confronto com as potências ocidentais.

A viagem de seis dias inclui um encontro com o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, além de uma participação na cúpula das potências emergentes (Brics) e na final da Copa do Mundo no Rio de Janeiro.

A visita de Putin ao continente acontece no momento em que a Rússia se vê envolvida na crise ucraniana, o mais grave confronto com o Ocidente desde a Guerra Fria.

Segundo analistas, a visita a uma região considerada tradicionalmente sob a influência de Washington representa um gesto de desafio aos Estados Unidos e à União Europeia, que decretaram sanções contra personalidades ligadas a Putin após a anexação da Crimeia à Rússia e o apoio de Moscou aos separatistas ucranianos.

Mas também faz parte da promoção de uma nova ordem mundial multipolar, defendida por Putin desde o início de seu terceiro mandato em 2012.

Putin promoveu recentemente a "aliança russo-chinesa" e acusou os Estados Unidos de exercerem uma "chantagem" sobre a França para evitar que esse país venda à Rússia navios de guerra Mistral.

"A viagem tem como objetivo reforçar e deslocar a base (da política russa) da América do Norte para a América Latina", afirma Vladimir Orlov, presidente do Centro PIR, um grupo de reflexão russo.

A Rússia, marginalizada das atividades diplomáticas desde a incorporação da península da Crimeia ao seu território em março, "observa atualmente com mais atenção e deferência seus sócios naturais, que não têm uma atitude parcial em relação a ela", acrescenta.

A primeira escala de Putin será em Havana, onde vai discutir com o presidente cubano Raúl Castro acordos de cooperação nas áreas energética, de transportes, aeronáutica e espacial, indicou o Kremlin.

Desde 2005, Rússia e Cuba têm buscado intensificar suas relações, que tiveram uma grande redução desde a desintegração do bloco soviético, em 1991.

Na semana passada, a câmara baixa do Parlamento russo ratificou um acordo assinado entre os dois países que prevê a anulação de 90% da dívida de Havana com a extinta União Soviética.

Segundo o diretor do Instituto de América Latina da Academia Russa de Ciências, Rússia e Cuba poderiam assinar um acordo energético com a participação da gigante petroleira russa Rosneft.

Putin também será recebido pelo líder histórico Fidel Castro, que expressou seu apoio a seu tradicional aliado desde o início da crise ucraniana.

"Fidel é o último dos moicanos, com quem Putin pode conversar tanto sobre a ordem atual quanto sobre o futuro da ordem mundial", comentou Orlov.

De Cuba, o chefe do Kremlin viajará à Argentina, onde vai discutir no sábado a cooperação comercial e energética com a presidenta Cristina Kirchner.

E de Buenos Aires, Putin voará para o Brasil, onde vai permanecer por quatro dias.

Seu objetivo será convencer os empresários a investir na Rússia, que tem sofrido uma importante fuga de capitais desde o início da crise ucraniana. Nos dias 15 e 16 de junho, ele participará da cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

A reunião entre os líderes desses cinco países, que representam mais de 40% da população mundial, deverá se concentrar "na coordenação política e em questões de gestão mundial", segundo o Kremlin, que informou que entre os projetos em estudo está o da criação de um banco de fomento.

Ainda no Brasil, participará no domingo, dia 13, da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo, recebendo da presidente Dilma Rousseff a responsabilidade de organizar o próximo torneio.

A Rússia organizará a próxima Copa em 2018 e já se comprometeu a investir bilhões de dólares na construção de estádios e em obras de infraestrutura.

Tanto Putin como seu antecessor Dimitri Medvedev realizaram nos últimos anos várias viagens a países da América Latina.

AFP