"A quimioterapia clássica foi horrível... mas com este tratamento, sinto esperança", diz o pensionista francês Jacques Braud, que está em tratamento para câncer de estômago com uma nova forma de terapia dispersa por aerossol.

Horas antes de entrar na sala de operações, Braud está esperando em seu quarto, parecendo surpreendentemente relaxado com um livro na mão.

Este é um lugar em que ele já esteve antes. Aos 76 anos, Braud está prestes a enfrentar seu segundo ciclo de quimioterapia após o câncer em seu estômago se espalhar para outros dois órgãos.

Mas desta vez é diferente.

Ele está sendo tratado no hospital Georges-François Leclerc, na cidade de Dijon, um dos sete hospitais na França que estão testando a Quimioterapia Aerossolizada e Pressurizada Intraperitoneal (Pipac), uma técnica desenvolvida na Alemanha em 2013.

Embora ainda esteja sendo testada, a quimioterapia por aerossol mostrou resultados promissores contra certos tipos de câncer, em um tratamento com menos efeitos colaterais que oferece esperança a alguns dos pacientes mais fracos.

Diferentemente da quimioterapia tradicional, as drogas não são injetadas na corrente sanguínea.

Em vez disso, o paciente é colocado sob anestesia geral e o tratamento é feito por laparoscopia, através da qual uma pequena incisão é feita na parede abdominal e a quimioterapia é introduzida na cavidade peritoneal por um spray.

- Minimamente invasivo -

Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, sem os efeitos colaterais nocivos normalmente "associados à circulação do tratamento no sangue", diz David Orry, chefe do departamento de cirurgia oncológica do hospital.

"Assim, você evita a perda de apetite, os danos aos nervos periféricos ou aos glóbulos vermelhos e brancos", que muitas vezes exigem que o tratamento seja interrompido.

"A quimio é horrenda, destrói você", diz Braud. "Meus dedos das mãos e dos pés estão paralisados, não sinto nada".

Mas com a terapia Pipac, ele não experimentou nenhum desses efeitos colaterais. Por enquanto, ele está recebendo tratamento a cada duas ou três semanas, alternando entre a quimioterapia tradicional e a Pipac, cujo uso ainda está sendo estudado.

- 'Muito promissor' -

Com ele deitado em sono profundo na mesa de operação, os cirurgiões fazem duas pequenas incisões de cinco centímetros no abdômen antes de inserir os trocartes através das duas camadas do peritônio, a membrana que envolve os órgãos internos.

Eles então injetam ar para criar artificialmente uma cavidade, que é um pré-requisito para a administração da terapia Pipac - e é por isso que, por enquanto, é usada exclusivamente para cânceres ginecológicos ou digestivos.

"Braud tem várias metástases em sua parede peritoneal", explica Orry, apontando para uma tela que mostra imagens da laparoscopia.

"Essa membrana tem apenas alguns vasos. Por isso, é muito difícil tratar com a quimioterapia que passa pelo sangue. O que é mais uma vantagem do Pipac".

Uma vez que os dois trocartes estão posicionados, a quimioterapia é liberada na cavidade inflada e deixada lá. Após 30 minutos, o produto é extraído através de uma potente bomba em miniatura e as incisões são fechadas. Após seis pequenas suturas, a operação termina. Demorou apenas duas horas.

À noite, Braud está de volta ao seu quarto e jantando, embora precise ficar mais duas noites internado devido aos riscos associados a uma anestesia geral.

Por enquanto, a terapia com Pipac só é oferecida a pacientes em tratamento paliativo, pois sua eficácia ainda não foi demonstrada em um grande estudo científico.

Mas a resposta inicial a esse tratamento complementar foi "muito promissora" e criou esperanças, diz o oncologista François Ghiringhelli, que vem trabalhando no desenvolvimento do Pipac em Dijon desde 2017.

- Um tratamento acessível -

E o preço do tratamento é razoável, com o aparelho injetor custando cerca de 25.000 euros (28.000 dólares), e cada operação usando materiais descartáveis no valor de 2.000 euros.

Este ano, o centro regional para a luta contra o câncer na cidade de Nantes iniciará um estudo multicêntrico sobre a terapia Pipac, do qual também participará Dijon. Os resultados preliminares são esperados para daqui a cinco anos.

"No futuro poderíamos usar essa técnica em pacientes que estão menos gravemente doentes e obter ótimo resultados curativos, até mesmo resultados preventivos", diz Orry, que está claramente entusiasmado com as perspectivas mais amplas da terapia Pipac.

"Por enquanto, devemos ser prudentes e não vendê-la como uma cura milagrosa", admite.

Esse sistema também pode ser expandido para fornecer outros tratamentos moleculares, que são potencialmente mais eficazes, mas perigosos demais para passar pelo sangue.

Ou pode até ser desenvolvido para outros tipos de câncer que afetam a bexiga ou os pulmões, que também têm membranas semelhantes ao peritônio.

Embora os médicos tenham dito a Braud que ele tem apenas dois anos de vida pela frente, ele abraçou seu novo tratamento com prazer.

"Com o Pipac, tenho esperança", sorri.

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