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Família de iemenitas refugiados é vista em Sana, em 8 de julho de 2014

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Rebeldes xiitas tomaram nesta terça-feira o controle da cidade de Amrane, ao norte da capital do Iêmen, e ameaçam derrubar o governo de transição, que já enfrenta a Al-Qaeda e os separatistas no sul do país.

As autoridades acusam os rebeldes do grupo Ansarullah de cometer atrocidades em Amrane, localizada a 50 km da capital Sana.

"Amrane está agora sob controle dos huthis", os rebeldes de Ansaruallah, declarou uma autoridade local. Tais afirmações foram confirmadas por diversas fontes militares e por testemunhas consultadas pela AFP por telefone.

Para especialistas, os rebeldes xiitas, que intensificaram no início de março os ataques contra o Exército em Amrane e nas proximidades, querem ampliar sua zona de influência no futuro Estado federal que deve contar com seis províncias.

De acordo com a imprensa iemenita, no momento do ataque rebelde, o presidente Abd Rabo Mansur Hadi estava na Arábia Saudita para discutir o avanço do grupo.

As autoridades iemenitas estão desestabilizadas pelos sucessivos ataques da Al-Qaeda, principalmente no sul e no sudeste do país, apesar das ofensivas militares.

Outro problema enfrentado por Sana é o dos separatistas do sul do país, que se negam a participar do processo de descentralização política, que visa a dar mais autonomia às regiões deste país em que predomina a organização tribal.

Abusos e atrocidades

Depois de tomar Amrane, os rebeldes cometem atrocidades por toda a região, segundo as autoridades. Invadiram prédios públicos, bases do Exército, sedes dos serviços de segurança e o gabinete do governador.

"Estes indivíduos saquearam as sedes administrativas e também as armas e equipamentos da 310ª Brigada do Exército, matando soldados e oficiais", informou o comitê de segurança.

O comandante da brigada, o general Hammid al-Qushabi, e vários soldados continuavam nesta quarta-feira em poder dos rebeldes, de acordo com a mesma fonte.

O comitê presidencial, que havia negociado com os insurgentes várias tréguas que nunca chegaram a ser implementadas, afirmou em um comunicado que os islamitas não respeitaram um acordo para a retirada dos soldados da 310ª Brigada.

"Não respeitaram o acordo, atacaram o quartel-general e cometeram terríveis atrocidades", afirmou o comitê.

O governador de Amrane, Mohamed Saleh Shemelane, negou ter entregue a cidade aos rebeldes, como havia sugerido a imprensa local.

A cidade, de 120.000 habitantes, caiu nas mãos da insurgência xiita depois de quatro dias de combates que obrigaram 10.000 famílias a fugir de suas casas, segundo a Cruz Vermelha iemenita.

Os registros de vítimas depois dos confrontos são contraditórios. Algumas fontes indicam até 400 mortos, mas não foi possível confirmar essa informação com uma fonte independente.

O grupo rebelde Ansarullah afirmou na sexta-feira que havia tomado a cidade para ajudar a população civil. Seu porta-voz indicou à AFP que o grupo estava "preparado" para devolvê-la às autoridades, mas não indicou sob que condições.

Os rebeldes da Ansarullah são zaiditas, um ramo do xiismo majoritário no norte do Iêmen. Os sunitas predominam no restante do país.

AFP