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Trem transportando os corpos chega à cidade de Kharkov

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Os corpos dos passageiros do voo MH17, transportados nesta terça-feira para a cidade ucraniana de Kharkiv, serão enviados à Holanda na quarta.

Ainda nesta terça, a União Europeia anunciou novas sanções contra a Rússia.

Os separatistas ucranianos, que controlam a zona onde o avião da Malaysia Airlines foi abatido na quinta-feira passada, liberaram a passagem do trem que transportava, segundo os insurgentes, os restos de 282 (dos 298) passageiros. Com isso, o veículo chegou em segurança à região controlada por Kiev.

Composto de cinco vagões refrigerados e com a inscrição "Donbass", o trem terminou sua viagem iniciada na segunda-feira na fábrica de tanques de Malychev, constatou um jornalista da AFP.

Através das grades do portão principal da fábrica era possível ver veículos marcados com uma cruz vermelha, que poderiam ser laboratórios móveis.

Vinte malaios vestindo uniformes azuis com a inscrição "Smart Malaysia" chegaram, seguidos por representantes da OSCE e diplomatas indonésios. "Estamos aqui para monitorar o processo de retirada dos corpos e sua identificação antes que sejam enviados para a Holanda", disse um dos diplomatas.

"De acordo com nossas informações, no local da queda da aeronave, os corpos não foram mantidos em um local seguro e não foram devidamente tratados", acrescentou.

A Holanda é o país de origem de 193 vítimas, e o governo declarou dia nacional de luto na quarta-feira em sua homenagem. O governo pode liderar uma investigação internacional sobre o acidente.

Os trabalhos de investigação prometem ser complexos. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, indicou nesta terça-feira que somente a identificação das vítimas poderá levar vários meses.

Gestos de apaziguamento

O primeiro avião com os restos mortais vai aterrissar em Eindhoven, no sul da Holanda, de onde serão transportados para uma base militar em Hilversum, a sudeste de Amsterdã, a cerca de 100 km do aeroporto.

O mesmo avião transportará as caixas-pretas do Boeing destruído em pleno voo em uma região controlada pelos separatistas pró-russos. Entregues na segunda-feira pelos rebeldes às autoridades malaias, elas deverão ser recuperadas pelos holandeses e enviadas à Grã-Bretanha para que seus dados sejam analisados.

As caixas-pretas permitem gravar conversas na cabine dos pilotos e dados técnicos do voo. É improvável, no entanto, que possam fornecer informações sobre a origem do disparo que derrubou o avião.

Neste contexto, os gestos de apaziguamento dos rebeldes em relação à comunidade internacional, em particular um cessar-fogo ordenado em torno do local da tragédia, foram acompanhados por declarações russas no mesmo sentido.

O presidente Vladimir Putin garantiu que Moscou fará todo o possível, incluindo usar sua influência sobre os separatistas, para ajudar na investigação sobre a queda do Boeing malaio.

"A Rússia fará tudo o que estiver ao seu alcance para uma investigação completa, exaustiva, profunda e transparente", declarou Putin, citado pelas agências russas, durante uma reunião do Conselho de Segurança russo. "Nos pedem para exercer pressão sobre os rebeldes. Faremos, é claro, tudo o que estiver ao nosso alcance, repito, mas isso não bastará", acrescentou.

A entrega dos corpos coincidiu com a reunião, em Bruxelas, dos chanceleres da União Europeia, que decidiu impor novas sanções à Rússia pelo seu apoio aos separatistas.

O bloco vai divulgar na quinta-feira as medidas, contra empresas e autoridades do país, anunciou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. Os novos alvos serão definidos com base no "apoio material ou financeiro" que deram aos rebeldes.

"É hora de parar a militarização da política europeia", indicou em sua conta no Twitter a presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, sempre rápida em denunciar as atitudes da Rússia.

Os Estados Unidos acusam o governo russo de ter fornecido aos separatistas o míssil que teria derrubado o MH17.

Local de queda do avião alterado "em escala industrial"

Mas, para muitos ocidentais, a mudança de tom dos separatistas e Moscou não parecem suficientes.

O local da queda foi alterado "em escala industrial", disse nesta terça-feira o primeiro-ministro australiano Tony Abbott, citando "uma tentativa de encobrir evidências" do desastre em que 28 australianos morreram.

A Ucrânia pediu que todos os países que tenham cidadãos entre as vítimas enviem policiais à área para preservar a "inviolabilidade" do lugar e participar da investigação.

Enquanto isso, o governo de Kiev anunciou que a bandeira nacional tinha sido hasteada na cidade de Severodonetsk, a cerca de cem quilômetros de Lugansk, tomada pelos rebeldes. A administração regional de Lugansk relatou cinco mortes entre os civis nas últimas 24 horas, enquanto o Exército ucraniano indicou 13 soldados mortos.

Os barulhos dos disparos de artilharia continuaram em Donetsk, onde um combatente, que não quis se indentifar, gritou: "Estão disparando nos civis! Eles são ucranianos! Se transformaram em animais selvagens."

O governo ucraniano continua preocupado com a forte presença militar russa. Mais de 40.000 soldados russos estão concentrados na fronteira entre Rússia e Ucrânia, assim como centenas de armas pesadas, segundo o secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Andrii Parubi. Cento e cinquenta tanques, 400 veículos blindados e 500 sistemas de artilharia russos também estão concentrados perto da fronteira, em Donetsk.

AFP