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Restrições de saúde na Costa Rica causam tensão na fronteira sul da Nicarágua

Homem trabalha na fabricação de caixões em meio à pandemia de coronavírus na Funeral La Amistad, em Manágua, em 22 de maio de 2020. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. maio 2020 - 16:17
(AFP)

Milhares de caminhoneiros nicaraguenses bloquearam a fronteira sul do país nesta quarta-feira (27), em retaliação às restrições sanitárias impostas pela Costa Rica ao transporte de cargas para conter a propagação do novo coronavírus.

O bloqueio agrava as tensões na América Central devido às medidas adotadas pela Costa Rica para a entrada de cargas em seu território após a detecção de quase 50 casos da COVID-19 entre caminhoneiros que faziam transporte para o país.

"Vamos bloquear definitivamente o tráfego para pressionar os governos para resolver", disse o presidente da Associação de Transportes da Nicarágua (ATC), Marvin Altamirano.

O protesto que impede a passagem de ônibus e veículos da Costa Rica para a Nicarágua começou na tarde de terça-feira e continuará até que as restrições à passagem de transporte para a Costa Rica sejam levantadas, disse Altamirano.

Imagens de exibidas na televisão mostraram um congestionamento de caminhões com quilômetros de comprimento em ambos os lados do posto fronteiriço de Peñas Blancas, entre Costa Rica e Nicarágua.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, na semana passada acusou a Costa Rica de aplicar "medidas unilaterais" de controle de fronteiras, em detrimento do fluxo comercial entre as nações.

A Federação de Câmaras e Associações de Exportadores da América Central e do Caribe (Fecaexca) destacou que as restrições à entrada de transportadores impostas pela Costa Rica limitam o comércio intra-regional e causam perdas milionárias.

Cerca de 90% do comércio entre os países da América Central é mobilizado por transporte terrestre.

A ação provocou uma resposta de Honduras, que nesta semana impediu a entrada de caminhoneiros da Costa Rica.

- Buscar soluções -

O Ministério da Economia da Guatemala pressionou a Costa Rica nesta quarta a encontrar "soluções viáveis" para "o bem do processo de integração da América Central" e evitar prejudicar a competitividade das empresas da região.

A Guatemala também apontou que um relaxamento das medidas evitaria o comprometimento do fornecimento de produtos alimentícios "especialmente agora que as economias da região são seriamente afetadas" pela crise do coronavírus.

Em resposta, a ministra de Comércio Exterior da Costa Rica, Dyalá Jiménez, afirmou que as fronteiras de seu país "sempre foram abertas".

"O que sempre desejamos é que o fluxo comercial não pare, mantendo sempre nossa máxima restrição sanitária para evitar fontes de contaminação", declarou Jiménez à imprensa.

Na sexta-feira, a Secretaria de Integração Econômica da América Central (SIECA), com sede na Guatemala, anunciou que está estudando um plano para "garantir a fluidez do comércio na América Central".

Os ministros de Comércio e Segurança da América Central têm uma reunião programadas para esta quarta para tentar encontrar uma saída da situação na fronteira.

A Costa Rica propõe três soluções possíveis: que o transportador deixe sua carga na fronteira e que um caminhoneiro local a pegue para continuar; que o transportador entre na Costa Rica com a carga e a deixe em um depósito fiscal; ou, para os que transportam carga entre a Nicarágua e o Panamá, os caminhoneiros passam em uma caravana escoltada pela polícia de uma fronteira à outra.

Essas opções serviriam de base para um acordo bilateral com o Panamá, que permitiu eliminar um bloqueio de fronteira neste país no contexto da pandemia.

A América Central registra mais de 22.000 casos de COVID-19 e mais de 600 mortes.

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