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Sírios fazem ataques aéreos contra insurgentes iraquianos; chanceler britânico em Bagdá

Destroços de atentado a bomba em Kirkuik, no Iraque, em 25 de junho de 2014. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. junho 2014 - 11:46
(AFP)

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, anunciou nesta quinta-feira que as forças sírias haviam executado nesta semana ataques aéreos contra insurgentes em território iraquiano, no momento em que o chanceler britânico tenta unir as lideranças iraquianas.

A visita do ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, a Bagdá acontece depois da de seu colega americano John Kerry. A comunidade internacional está mobilizada para tentar conter a ofensiva lançada em 9 de junho no Iraque pelos insurgentes sunitas liderados pelos jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL).

Em entrevista concedida à BBC, Maliki afirmou que a aviação do regime sírio, que enfrenta há três anos uma rebelião local e jihadistas estrangeiros - incluindo os integrantes do EIIL -, havia atacado os insurgentes que ocupam a cidade iraquiana de Al-Qaim (oeste), na fronteira com a Síria.

De acordo com a emissora britânica, Maliki "recebe favoravelmente" os ataques aéreos contra os insurgentes, mas o primeiro-ministro afirmou que seu governo não tinha solicitado as operações, que ocorreram na terça-feira.

As forças iraquianas tentam, sem sucesso, repelir a ofensiva jihadista e retomar o controle de grandes áreas conquistadas nos últimos dias a oeste e norte de Bagdá.

Para deter a ofensiva, os Estados Unidos e seus aliados ocidentais e árabes trabalham há dias para convencer os líderes iraquianos da necessidade de unirem suas forças.

'Ameaça à existência'

"O Estado iraquiano enfrenta uma ameaça a sua existência, com importantes implicações para a estabilidade e a liberdade do país no futuro", declarou Hague, citado em um comunicado do Foreign Office, acrescentando que o "fator que determinará se o Iraque vai superar ou não este desafio é a unidade política".

Determinado a se manter no poder, Maliki advertiu na quarta-feira seus adversários políticos para qualquer tentativa de afastá-lo do poder, e denunciou "um golpe de Estado contra a Constituição e o processo político."

Seu bloco político venceu as eleições legislativas de abril, mas sem maioria, e desde então ele não vem conseguindo formar uma coalizão diante das profundas divergências com as demais forças políticas.

Os Estados Unidos explicaram que Maliki rejeita a ideia de "um governo de urgência", mas que estava "claramente envolvido na tarefa de blindar o processo eleitoral, reunir o novo Parlamento e avançar no processo constitucional em direção à formação de um governo" até 1º de julho.

"A formação de um governo é o nosso principal desafio", declarou Kerry durante sua visita ao Iraque no início da semana, falando de "um momento muito crítico para o Iraque".

Após mobilizar milhares de seus partidários contra os insurgentes, o influente líder xiita Moqtada al-Sadr, aliado do Irã xiita, prometeu "fazer a terra tremer sob os pés da ignorância e do extremismo".

Sadr contrário a ajuda americana

Sadr, um crítico de Maliki, também apelou para a formação de um governo que reúna todas as comunidades.

Ele afirmou ainda sua oposição ao envio de 300 conselheiros militares americanos ao Iraque, dos quais 40 já estão trabalhando, garantindo que ele aceitaria um "apoio internacional de países que não ocuparam o Iraque".

Esta semana, o New York Times indicou que o Irã, aliado xiita do regime de mesma confissão em Bagdá, havia mobilizado secretamente drones de observação no Iraque e um comboio militar por via aérea.

A ofensiva jihadista já deixou quase 1.100 mortos, milhares de deslocados e ameaça mergulhar o país no caos.

Aproveitando-se de um acordo local com a Al-Qaeda na vizinha Síria, país em guerra há três anos, o EIIL assumiu o controle do posto de fronteira de Bukamal, após o de Al-Qaim que já controla.

O EIIL, que também está envolvido na guerra síria registrando avanços perto da fronteira com o Iraque, tenta criar um Estado islâmico na porosa fronteira entre os dois países.

A coalizão liderada pelo EIIL reúne ex-oficiais do Exército de Saddam Hussein - derrubado pela invasão americana em 2003 -, grupos salafistas e membros de tribos.

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