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Santiago inicia quarentena total em meio a panorama sombrio

Balanço da epidemia de Covid-19 no Chile até as 13h desta sexta-feira afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 15. maio 2020 - 20:42
(AFP)

Santiago entrará nesta sexta-feira em quarentena total, supreendida pela velocidade que alcançou esta semana a epidemia do novo coronavírus, que superou as projeções oficiais, provocou um salto de 60% no número de novos infectados e fez dobrar a quantidade de mortos em 48 horas.

"Temos que conseguir vencer esta batalha em Santiago para vencermos a guerra contra o coronavírus", declarou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, ao entregar hoje o novo balanço da pandemia, que, no Chile, tem seu foco (mais de 80% dos casos) na capital.

A tendência hoje permanecia de alta, com 2.502 novos infectados e 26 mortos, totalizando 39.542 infectados e 394 mortos desde 3 de março. Até a semana passada, o país registrava entre 350 e 500 novos casos por dia, mas, no último sábado, o balanço beirava mil, até disparar anteontem, quando os novos casos aumentaram 60% e chegaram a 2.660. O número de mortos passou de 11 a 22 ontem, e a 26 hoje.

"Esta noite, entraremos na etapa mais dura, que requer maior solidariedade, maior controle uns dos outros. Por favor, usem a máscara, não saiam nesta situação", pediu o ministro nesta sexta-feira. "É de responsabilidade de cada um, e também da sociedade, conseguir fazer com que as pessoas cumpram as medidas de quarentena", assinalou, em mensagem dirigida especialmente aos 7 milhões de habitantes de Santiago, onde estão ocupados 90% dos leitos de UTI.

- Recordes tristes -

O Chile decretou medidas de confinamento seletivo ou gradual desde muito cedo, quando o mundo assistia, incrédulo, às imagens de uma China quase fantasma e, em seguida, imagens dramáticas de mortos e doentes na Itália, Espanha e França.

O Chile foi um dos primeiros países latinos a decretar, em 7 de fevereiro, alerta sanitário devido à Covid-19, o que lhe permitiu comprar insumos como testes, respiradores e leitos de UTI, além de decidir a centralização do sistema de saúde. Em meados de março, o país impôs o toque de recolher, quando ainda não registrava mortos e o número de infectados não chegava a 100.

Mesmo tento atingido ontem o recorde de mais de 16 mil exames PCR em um dia, autoridades confirmaram hoje, pela primeira vez, vítimas fatais mais jovens e sem doenças preexistentes, com idade entre 40 e 49 anos.

"Nos próximos dias, esperamos que se mantenha o aumento de entre 1,3 mil e 1,5 mil casos diários, que não disparem, o que já seria um êxito, porque, sem estas medidas, veríamos facilmente 3 mil casos diários", indicou o médico e especialista Sebastián Ugarte há uma semana. Mas em menos de sete dias, os novos infectados superam 2,5 mil por dia e o índice de positivos nos exames PCR é, em média, de 12%.

- Onde está a falha? -

Nas ruas, entre as autoridades e na voz de opositores do governo do presidente Sebastián Piñera, uns culpam os outros, mas também há mea-culpas.

A crise de confiança nas instituições e na política define o presente de sociedades em várias partes do mundo, mas o Chile vinha de uma explosão social sem precedentes em seus 30 anos de democracia. "Dizer às pessoas que confiem no que o Estado lhes diz é muito difícil", reconheceu o ministro Jaime Mañalich em entrevista concedida ontem ao jornal "La Tercera".

Até 30 de abril, o país mostrou cifras animadoras, mas especialistas alertaram que ainda era cedo para cantar vitória, considerando que as infecções haviam começado a se expandir nos setores mais pobres e populosos de Santiago, cidade que, no inverno, costuma ver sua rede de saúde pública colapsar devido a doenças respiratórias.

Com cifras que pareciam sob controle, um tom de vitória entre as autoridades e o pânico causado pela crise econômica, o presidente Sebastián Piñera e vários prefeitos deram sinais para recuperar a atividade, como a abertura de alguns centros comerciais e a ordem de retorno de funcionários públicos. Mas em menos de 14 dias, o novo coronavírus fez caírem por terra estes planos e trouxe um panorama sombrio para o país.

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