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Thomas Mueller e Bastian Schweinsteiger se abraçam após a vitória

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A Alemanha viu seu status de equipe mais regular do século XXI confirmado ao mais alto nível com o título da Copa do Mundo do Brasil-2014, conquistado na base da tenacidade e coerência.

A Alemanha não deixou nada ao acaso e controlou bem todas as situações. A 'Mannschaft' construiu o projeto Copa do Mundo-2014 pensando em tudo.

O técnico Joachim Löw foi contestado após a Euro-2012, concluída com uma amarga derrota para a Itália de Balotelli (2 a 1), nas semifinais. O treinador e a Federação Alemã (DFB) não se abateram e continuaram apostando no velho ditado "Não se mexe em time que (quase) vence".

Löw assumiu a equipe em 2006, após a saída de Jurgen Klinsmann, responsável por iniciar a "revolução do Fussball", juntando um sistema de jogo ofensivo a um método de preparação científico importado dos Estados Unidos.

Löw, ex-assistente de Klinsmann, deu continuidade ao "conto de fadas de 2006", quando a Alemanha ficou em terceiro no seu Mundial em casa, ficando sempre entre as quatro melhores equipes de todos os torneios que disputou: final perdida na Euro-2008, terceiro na Copa-2010, semifinalista na Euro-2012.

O presidente da DFB, Wolfgang Niersbach, sempre deu total apoio ao técnico, sem hesitar em anunciar sua confiança no trabalho realizado.

"Não importa o que acontecer neste Mundial, nestes últimos oito anos com Löw no comando vi muito progresso da equipe. Há anos nós somos juntos com a Espanha a equipe mais constante do mundo", havia declarado à agência SID, filial da AFP.

Löw até 2016

Em outubro do ano passado, Löw (54 anos) prolongou o contrato até 2016 e, contando com a confiança de seus chefes, pôde preparar metodicamente seu plano.

O pré-Copa, porém, foi um verdadeiro pesadelo, com os problemas físicos dos titulares Neuer, Lahm e Schweinsteiger, além da grave lesão no joelho de Khedira, que voltou aos campos apenas ao final da temporada europeia.

Löw seguiu seu plano, confiando cegamente nos pilares da equipe. Ele foi colocando em campo aos poucos os jogadores recuperados, Khedira e Schweinsteiger, aproveitando a polivalência de Lahm, seu capitão e lateral-direito que costuma jogar no meio pelo Bayern de Munique.

O técnico confiou no faro de gol de Muller, artilheiro do Mundial-2010 (5 gols) e escalado como "falso nove" nas quatro primeiras partidas no Brasil. O atacante não falhou, anotando outros cinco gols na competição.

Löw soube também usar a experiência do veterano Klose, que ficou no banco nas duas primeiras partidas, mas foi se tornando cada vez mais útil, até conquistar a vaga no time titular. Com dois gols no Mundial e aos 36 anos, Klose acabou tornando-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo (16, contra 15 de Ronaldo).

Escolha dos jogadores e do método

Löw encontrou em Kroos a alma de um meia criativo, no estilo de Xavi, tão preciso e habilidoso em seus passes que tomou o lugar de Ozil, que precisou ser movido para o lado do campo.

Há uma qualidade por trás de cada escolha de Löw: o sangue frio. Nos momentos mais importantes, os alemães mostraram-se surpreendentemente serenos, como após a incrível vitória de 7 a 1 sobre o Brasil, nas semifinais, quando os jogadores comemoram o resultado de maneira muito comedida.

"Nosso objetivo é muito claro: sermos campeões do mundo. Ninguém jamais foi campeão nas semifinais", resumiu Kroos.

A 'Mannschaft', que chegou a passar sufoco no Mundial contra Gana (2-2) e principalmente contra a Argélia, derrotada apenas na prorrogação (2-1, nas oitavas), não se abalou com as críticas da imprensa alemã.

"Na história das competições, sempre há um momento em que as equipes encontram dificuldades e precisam achar soluções. Foi assim contra a Argélia. O adversário não tinha nada a perder contra nós e cometemos muitos erros. Mas tudo bem, aprendemos com os erros e nos energizamos", declarou Löw.

Esta energia levou a Alemanha até a prorrogação da final da Copa do Mundo, na qual Mario Gotze, que entrou na partida no fim do segundo tempo, marcou o gol do tetracampeonato, em mais uma tacada de mestre de Löw.

AFP