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Sob suspeita, governo muda difusão de balanço do novo coronavírus

Profissional de saúde cuida de paciente infectado com o novo coronavírus na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Público Ernesto Che Guevara em Maricá, Rio de Janeiro, 5 de junho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. junho 2020 - 01:53
(AFP)

O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (8) uma modificação na forma de divulgar os dados sobre casos e mortes do novo coronavírus, em meio a suspeitas crescentes de manipulação de estatísticas.

Segundo o balanço oficial desta segunda-feira, nas últimas 24 horas foram registrados no Brasil 15.654 novos casos e 679 óbitos, elevando o total de contagiados a 707.412 e o de mortes a 37.134.

O país é o segundo em número de casos e o terceiro em número de mortes no mundo, e se aproxima das cifras do Reino Unido (40.597), o segundo em letalidade pela COVID-19, atrás dos Estados Unidos.

O Ministério da Saúde informou, ainda, que de agora em diante dará prioridade em seus balanços ao número de mortes ocorridas no mesmo dia com diagnóstico de COVID-19. Mas assegurou em um comunicado, rebatendo críticas, que em sua nova plataforma será possível continuar visualizando "quantas mortes foram notificadas no dia e a que data se refere cada óbito".

Na sexta-feira, o governo deixou de publicar o balanço total de óbitos e no domingo publicou dois balanços, com números diferentes, esperando até esta segunda-feira para esclarecer qual era o correto.

Bolsonaro defendeu a publicação de cifras parciais e não totais, embora o Ministério já tivesse divulgado estes últimos no domingo.

"A divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população", tuitou no sábado Bolsonaro, que em menos de um mês perdeu dois ministros da Saúde por divergências sobre a política ante a pandemia e há três semanas pôs no lugar um militar, que ocupa o cargo interinamente.

- Registros paralelos -

Estas confusões levaram à criação de iniciativas paralelas de registros.

Uma delas, realizada pelos principais veículos de comunicação nacionais (do Grupo Globo, Estadão, Folha e UOL), com base em informações das secretarias estaduais de Saúde, informou nesta segunda-feira o registro, nas últimas 24 horas, de 849 óbitos (170 a mais que o balanço oficial). O total de mortos, segundo esta contagem, é de 37.312, e o de infectados, de 710.887.

O Congresso informou, por sua vez, que também criaria um centro de registros das vítimas da pandemia.

"É urgente que o Ministério da Saúde divulgue os números com seriedade, respeitando os brasileiros e em horário adequado. Não se brinca com mortes e doentes", ressaltou na noite de domingo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, advertindo que o órgão vai inspecionar as estatísticas.

O Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass) acusou o governo de "invisibilizar" as mortes por COVID-19.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que foi exonerado em abril, denunciou "uma ocupação do Ministério da Saúde por militares que não têm nenhum conhecimento de saúde, não têm compromisso com a saúde", em entrevista ao Buzzfeed News.

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