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O promotor Alberto Nisman, falecido há dois meses e meio, em evento promovido pela comunidade judaica, no dia 16 de julho de 2013

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O presidente da Suprema Corte argentina, Ricardo Lorenzetti, pediu nesta segunda-feira definições na investigação sobre a morte do procurador Alberto Nisman, falecido há quase três meses em circunstâncias misteriosas depois de acusar a presidente Cristina Kirchner de acobertamento de ex-dirigentes iranianos.

"Não quero julgar o que faz a promotora porque não me cabe, mas acho, sim, que é o momento de se tomar definições concretas", disse Lorenzetti à Rádio La Red.

Segundo o titular da Suprema Corte, "aconteceu em muitos casos que os homicídios não se resolvem ou terminam em questões subalternas, derivadas e isto não pode ser assim", criticou.

Nisman foi encontrado morto em seu apartamento em 18 de janeiro passado, quatro dias depois de acusar Kirchner e seu chanceler, Héctor Timerman, de acobertar ex-funcionários iranianos pelo atentado à associação mutual judaica AMIA em Buenos Aires que deixou 85 mortos e 300 feridos em 1994.

"Em muitos casos, o tempo excessivo acaba complicando o processo, as vítimas acabam sendo culpadas", advertiu Lorenzetti, lembrando que "o importante é evitar a frustração das pessoas que pedem justiça".

A investigação do caso, rotulada de "morte duvidosa", está nas mãos da promotora Viviana Fein, que trocou várias acusações públicas com a ex-esposa de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, que diz se tratar de um homicídio.

Arroyo Salgado divulgou em coletiva de imprensa em 5 de março um informe de peritos segundo o qual Nisman foi vítima de um homicídio.

O único acusado no processo é um colaborador do procurador, o técnico em informática Diego Lagomarsino, mas só por emprestar a arma de onde saiu o disparo que o matou.

A denúncia de Nisman foi desestimada por um juiz, que considerou a "inexistência de crime" e depois também foi descartada pela Câmara Federal, embora o procurador que a impulsionou tenha apelado da decisão e a resolução ainda esteja em trâmite.

AFP