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Supremo da Venezuela suspende mais um diretório de partido opositor

(Arquivo) O presidente venezuelano, Nicolás Maduro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. junho 2020 - 21:31
(AFP)

O Tribunal Supremo venezuelano suspendeu nesta terça-feira (16) o diretório do partido político Primeiro Justiça, do ex-candidato presidencial Henrique Capriles, depois que as principais forças opositoras anunciaram um boicote às eleições parlamentares deste ano, as quais consideram "falsas".

A Câmara Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) "decretou (...) suspender o atual Conselho de Administração da organização com fins políticos 'Movimento Primeiro Justiça'", pronunciou-se o tribunal em um comunicado.

O TSJ, de linha chavista, tomou uma decisão semelhante na segunda-feira passada contra outra organização opositora, a Ação Democrática.

O tribunal nomeou um "conselho diretivo ad hoc" no Primeiro Justiça, liderado pelo deputado José Brito, adversário do líder parlamentar da oposição Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de cinquenta países, encabeçados pelos Estados Unidos.

Brito é aliado de Luis Parra, um legislador da oposição que rompeu com Guaidó após ser acusado de corrupção vinculado a um programa de auxílio alimentar do governo Nicolás Maduro, e ao se proclamar como presidente da Assembleia Nacional, com o apoio do chavismo, em paralelo à reeleição do líder opositor.

O novo conselho do Primeiro Justiça, acrescentou o TSJ, poderá usar "o cartão eleitoral, o logotipo, símbolos, emblemas, cores e qualquer outro conceito típico da organização mencionada".

O TSJ, "que apenas se ocupa da ambição doentia de Maduro pelo poder, agora decide entregar o nosso partido a lixões corruptos", criticou Capriles no Twitter.

Brito defendeu a sentença em uma entrevista à VPI web TV e disse que representava uma "oposição" que busca "liderar" o país através de "canais eleitorais".

No último domingo, onze partidos da oposição anunciaram em um comunicado o boicote às próximas eleições parlamentares, programadas para este ano, embora ainda sem data marcada.

O processo foi qualificado como "farsa", depois que o TSJ nomeou uma nova direção do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), liderada por Indira Alfonzo, uma magistrada processada pelo Canadá.

As nomeações ocorreram depois que o tribunal declarou a "omissão" do Legislativo em seu poder de eleger novos reitores do CNE, em 5 de junho.

A equipe de comunicação de Guaidó acusou Maduro de "manobra para roubar cartões, logotipos e símbolos eleitorais para tentar 'validar' o seu programa eleitoral".

O Primeiro Justiça, que surgiu como movimento civil e foi formalizado como partido político em 2000, e a Ação Democrática são as organizações com a maior representatividade da oposição na Assembleia Nacional.

O fundador do Primeiro Justiça, o exilado Julio Borges, é o representante de Relações Exteriores de Guaidó.

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