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Terapia gênica de combate ao câncer com Crispr chega a uma nova etapa

Bolsa de sangue em laboratório do Instituto de Luta contra o Câncer Paoli-Calmettes (IPC), em marselha, na França afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 06. fevereiro 2020 - 21:37
(AFP)

Cientistas americanos conseguiram modificar geneticamente o sistema imunológico de três pacientes com câncer utilizando a inovadora técnica genética Crispr, que permite a edição do genoma, sem causar efeitos secundários.

Os primeiros e muito aguardados resultados de um primeiro teste clínico foram publicados nesta quinta-feira (06) no períodico científico Science. Eles ainda representam uma etapa muito iniciante e não provam que a ferramenta possa curar o câncer, mas demonstram que a tecnologia não é prejudicial.

Cientistas da Universidade da Pensilvânia fizeram uso do Crispr, um mecanismo molecular descoberto em 2010, para retirar três genes específicos de certas células do sistema imunológico de alguns pacientes, com o objetivo de que as células de defesa reconheçam os tumores e células cancerígenas que costumam passar despercebidos.

Essa técnica faz parte de uma grande categoria de tratamentos chamada de imunoterapia, que tem mostrado eficácia na última década: ajuda o sistema imunológico a fazer o trabalho de combate ao câncer.

Até o momento, ela é complementar a cirurgia, quimio e radioterapia.

A imunoterapia, principalmente a terapia CAR T, "tem demonstrado sua eficácia para pacientes já não têm opções", disse Edward Stadtmauer, médico da Universidade da Pensilvânia e responsável pelo estudo.

"Infelizmente, mesmo com essa tecnologia, muitos pacientes não percebem melhoras", disse.

Os pesquisadores dessa universidade escolheram três dos pacientes. Retiraram linfócitos T, um tipo de glóbulo branco, e usaram a técnica Crispr para eliminar genes que lhes impediam de fazer o seu trabalho no reconhecimento de tumores.

Feito isso, as células imunes geneticamente modificadas foram reinseridas nos pacientes. Nove meses depois, essas células permaneciam no organismo sem causar efeitos secundários graves", segundo Stadtmauer.

"A grande questão que o estudo não responde é se as células modificadas pelo Crispr são eficazes contra os cânceres avançados", explicam no artigo dois pesquisadores, uma delas que ajudou a descobrir a ferramenta, Jennifer Doudna.

"Tudo o que podemos afirmar é que temos a capacidade de fazer a modificação genética e reinjetar essas células de maneira segura", ressalta Stadtmauer.

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