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Pessoas aguardam do lado de fora do prédio após forte terremoto, em Santiago, no dia 16 de setembro de 2015

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Um terremoto de 8,3 graus sacudiu na quarta-feira as regiões central e norte do Chile, matou cinco pessoas, obrigou um milhão de habitantes a abandonarem suas casas, provocou um alerta de tsunami e deixou o país em pânico.

Duas mulheres e três homens morreram, uma pessoa é considerada desaparecida e dezenas ficaram feridas no terremoto, que aconteceu às 19H54 (mesmo horário de Brasília) de quarta-feira.

Muitas pessoas seguiram para as partes elevadas das cidades costeiras ante o alerta de tsunami, que permaneceu em vigor em muitas regiões durante a madrugada de quinta-feira.

"Lamentamos o falecimento de cinco cidadãos chilenos, manifestamos as condolências do governo a todos os familiares (das vítimas). Temos uma avaliação de evacuados de um milhão de pessoas", disse o subsecretário do Interior, Mahmoud Aleuy.

Segundo o funcionário, foi decretada "zona de catástrofe" na província de Choapa, epicentro do terremoto, o que coloca a região sob autoridade militar e agiliza a entrega de recursos.

"Este foi o sexto terremoto mais violento da história do Chile e o mais forte de 2015 em nível mundial" em relação à magnitude, destacou Aleuy.

O governo reduziu o alerta de tsunami a apenas duas regiões na manhã desta quinta-feira.

"O alerta de tsunami foi reduzida às regiões de Coquimbo e Atacama", anunciou Ricardo Toro, diretor do Escritório Nacional de Emergência (Onemi).

Toro disse que a situação começa a voltar ao normal e que o governo espera enviar nas próximas horas militares à região mais afetada, na província de Choapa, para determinar a verdadeira magnitude dos danos.

A presidente chilena, Michelle Bachelet, decretou zona de catástrofe para a província de Choapa (norte), epicentro do tremor, o que significa que a região está sob comando militar e o Estado destinará mais recursos à localidade para atender a emergência.

Bachelet pretende visitar nesta quinta-feira a região afetada para uma "avaliação precisa".

A presidente advertiu para a ocorrência de tremores secundários e disse que o governo acompanha a situação "minuto a minuto".

O diretor do Onemi afirmou que mais de 135.000 famílias estavam sem energia elétrica nesta quinta-feira.

Logo após o terremoto, o ministro do Interior, Jorge Burgos, havia decretado "a evacuação preventiva em toda a costa do país".

O abalo ocorreu diante de Illapel (norte), de 31 mil habitantes.

O Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile (CSN) situou o epicentro 36 km a oeste da localidade de Canela Baja, na região de Coquimbo (500 km da capital), a uma profundidade de 11 km.

Inicialmente, o Centro Sismológico Nacional informou um tremor de 7,2 graus, mas posteriormente, o governo ajustou a magnitude para 8,4 graus na escala Richter.

O Centro Sismológico dos Estados Unidos (USGS) relatou um terremoto de 8,3 graus na escala de magnitude, situando o epicentro 230 km ao norte de Santiago.

Durante a noite, o Serviço Hidrológico e Oceanográfico da Marinha (Schoa) emitiu um alerta de tsunami para toda a costa do país, ordenando a evacuação das cidades situadas à beira-mar.

Até no estado americano da Califórnia houve uma advertência de tsunami.

"As pessoas corriam para todos os lados, não sabíamos para onde ir", contou Gloria Navarro, moradora da cidade de La Serena, no norte chileno, cuja costa foi evacuada diante do risco de tsunami.

"Estávamos saindo do nosso prédio quando tudo começou a balançar, algo muito forte. O chão tremia com muita força", relatou Pablo Cifuentes, morador de Santiago, à rádio Cooperativa.

O terremoto foi de longa duração e seguido de vários tremores secundários muito fortes.

Em Santiago, capital chilena com 6,6 milhões de habitantes, o terremoto causou pânico e milhares de pessoas foram às ruas, constatou um jornalista da AFP.

Os serviços básicos funcionavam normalmente em Santiago, do mesmo modo que a Internet, e o aeroporto foi reaberto após uma revisão das pistas.

Os telefones apresentaram problemas na capital chilena e o metrô suspendeu suas operações devido aos diversos abalos secundários, incluindo um tremor de 6,5 graus, segundo o CSN.

O terremoto foi sentido em Buenos Aires, 1.400 km a oeste de Santiago, onde os prédios balançaram e várias pessoas entraram em pânico.

O abalo foi percebido em várias províncias argentinas, como Catamarca e Tucumán, no norte, Mendoza, oeste, e Córdoba, no centro do país.

Em São Paulo, o abalo foi percebido nos prédios mais altos e os bombeiros receberam cerca de 50 telefonemas.

Em 2010, a zona central do Chile foi sacudida por um terremoto de 8,8 graus com tsunami que deixou mais de 500 mortos.

AFP