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Transporte marítimo propagou câncer infeccioso entre mexilhões, aponta estudo

Um câncer infeccioso se propagou entre duas espécies de mexilhões de ambas as partes do Oceano Atlântico afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. novembro 2019 - 20:40
(AFP)

Um câncer infeccioso se propagou entre duas espécies de mexilhões de ambas as partes do Oceano Atlântico, segundo um estudo que aponta o transporte marítimo como vetor da doença.

O câncer só é infeccioso em algumas ocasiões. "O diabo-da-tasmânia, os cães e os bivalves desenvolvem cânceres que podem se propagar de um indivíduo a outro, agindo como um agente patógeno ou um parasita", segundo Marisa Yonemitsu, do Instituto de Pesquisa Pacific Northwest de Seattle, coautora do estudo publicado na revista científica eLife.

Uma dessas doenças, chamada neoplasia ou leucemia dos mexilhões, foi detectada entre os Mytilus trossulus, no Canadá, mas também nos M. edulis da França e da Holanda e nos M. chilensis do Chile e da Argentina.

Os pesquisadores descobriram que as células cancerosas "extraídas dos mexilhões da Europa e da América do Sul eram geneticamente quase idênticas, sugerindo uma mesma origem".

O "ancestral" comum desta doença é "provavelmente um único mexilhão (M. trossulus)", segundo um comunicado.

Mas como estes não se encontram nas zonas tropicais, Michale Metzger, coautor do estudo, estimou que os moluscos infectados "foram acidentalmente transportados por um barco de transporte marítimo internacional".

"Nosso estudo mostra que esses cânceres infecciosos entre os bivalves são agentes patógenos muito disseminados e que os humanos podem ser responsáveis por sua introdução em novas espécies vulneráveis", segundo Metzger, também do mencionado instituto de Seattle.

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