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Caminhões do comboio de ajuda humanitária da Rússia, estacionados em um campo nos arredores da cidade russa de Kamensk-Shajtinski, a 30 km da fronteira com a Ucrânia, em 15 de agosto

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Agentes alfandegários ucranianos esperavam nesta sexta-feira para inspecionar o comboio humanitário russo destinado às populações do leste da Ucrânia, que permanecia estacionado a 30 km da passagem fronteiriça de Donetsk, em uma zona na qual a Rússia realizou muitos movimentos de blindados.

Paul Picard, chefe da missão de observação da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) na região, declarou à AFP que a inspeção não começou, desmentindo, assim, as afirmações formuladas pouco antes por um porta-voz militar ucraniano, Leonid Matiujin.

A AFP constatou que não havia nenhum caminhão no local, pouco depois de ter observado a presença do comboio na localidade de Kamensk-Shakhtinski, onde se encontra desde a noite de quinta-feira, a 30 km da passagem fronteiriça de Donetsk.

Acompanhados por representantes do ministério russo das Situações de Emergências, jornalistas foram autorizados a entrar em mais de 10 caminhões e constataram que transportavam sacos de farinha, açúcar e garrafas de água.

Os agentes de alfândegas e guardas ucranianos cruzaram a fronteira entre Ucrânia e Rússia para trabalhar com seus colegas russos, e dar autorização à passagem de cerca de 300 caminhões carregados de ajuda humanitária.

Esta ajuda russa está destinada à população do leste da Ucrânia, onde o exército combate desde abril os separatistas pró-russos.

A viagem do comboio foi problemática desde o início, na terça-feira em uma base militar da região de Moscou. A Ucrânia e as potências ocidentais temem que sirva de desculpa para uma intervenção militar russa, medo que o governo da Rússia chamou de "absurdo".

Kiev aceitou finalmente a passagem do comboio, que transporta, segundo Moscou, mais de 1.800 toneladas de alimentos e medicamentos para áreas separatistas do leste da Ucrânia que o governo tenta controlar.

O ministério das Relações Exteriores ucraniano destacou que a Rússia será a única responsável pela segurança do comboio.

Incursão militar russa

Por outro lado, a Ucrânia confirmou, também nesta sexta-feira, a incursão de uma coluna militar russa em seu território através de um posto fronteiriço controlado pelos separatistas pró-russos, apontada na quinta-feira por jornalistas britânicos.

"Uma coluna militar russa cruzou a fronteira a partir do posto fronteiriço de Izvarin", declarou à AFP Olexi Dimitrashkivski, um dos porta-vozes da campanha militar ucraniana, acrescentando não ter informação sobre o número de veículos que formam esta coluna.

Jornalistas dos jornais britânicos Guardian e Telegraph afirmaram que 23 veículos blindados de transporte de tropas, caminhões de transporte de combustível e outros veículos logísticos com placas militares russas cruzaram a fronteira na noite de quinta-feira.

Por sua vez, a situação humanitária segue se deteriorando no leste ucraniano, onde o avanço das tropas de Kiev deixa muitas vítimas civis.

Onze civis morreram e oito ficaram feridos em 24 horas em Donetsk, indicou nesta sexta-feira a prefeitura.

Neste contexto, os Estados Unidos pediram na quinta-feira moderação à Ucrânia.

O exército ucraniano retomou na quinta-feira o controle da estrada entre Lugansk e a fronteira russa, que se encontra no itinerário que o comboio humanitário deveria tomar.

Também na quinta-feira, o principal chefe separatista, o russo Igor Strelkov, renunciou ao seu posto de ministro da Defesa da autoproclamada República de Donetsk, assim como no dia anterior o chefe de separatista de Lugansk, Valeri Bolotov, já havia feito.

Em Donetsk, que contava com um milhão de habitantes antes do conflito, os combates chegaram na quinta-feira ao centro da cidade.

Em Lugansk, 22 civis morreram na quinta-feira por disparos de morteiros.

O presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu nesta sexta-feira em Sochi (sul da Rússia) com seu colega finlandês, Sauli Niinistö, para falar da crise da Ucrânia, já que a Finlândia é um dos países europeus mais ameaçados pelas tensões entre Moscou e os ocidentais.

AFP