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Uma lhama no centro de uma pesquisa anticoronavírus na Bélgica

Enfermeira aguarda paciente em unidade móvel de testes de COVID-19 em Compton, Califórnia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. maio 2020 - 17:18
(AFP)

Um pequeno anticorpo produzido pelas lhamas é eficaz no bloqueio do novo coronavírus, descobriram pesquisadores da Universidade Belga de Ghent, alegando "um avanço muito importante" para o tratamento antiviral.

O professor Xavier Saelens, do Instituto Flamengo de Biotecnologia (VIB), explicou à AFP que não é a primeira vez que animais da família dos camelídeos (dromedários, lhamas, alpacas) são usados na Bélgica em pesquisas médicas.

"Já existe no mercado um medicamento que provém dos anticorpos de uma lhama", disse, referindo-se ao Caplacizumab, um tratamento contra uma doença rara de coagulação do sangue, a púrpura trombocitopênica trombótica.

A descoberta atual sobre o novo coronavírus veio de duas equipes lideradas pelos professores belgas Xavier Saelens e Nico Callewaert, em colaboração com um laboratório da Universidade do Texas, liderado pelo professor Jason McLellan.

Ao inocular uma cobaia com uma proteína presente na superfície desse vírus, eles descobriram que o animal conseguiu produzir um anticorpo capaz de desempenhar o papel de escudo e "neutralizar" os efeitos do vírus.

"A lhama desenvolveu uma resposta imune contra essa proteína", disse Dorien De Vlieger, pesquisadora do VIB, afirmando que o objetivo é produzir um "tratamento antiviral que consiste na administração desse anticorpo aos pacientes".

Os primeiros testes em humanos podem ocorrer "até o final do ano", estimou.

Ao contrário de uma vacina, que faz com que a pessoa produza os anticorpos e que pode levar tempo, esse tratamento pode ser útil no curto prazo e usado em pessoas que já estão doentes, segundo o pesquisador.

Este laboratório belga oferece um dos vários exemplos de pesquisas médicas para combater o novo coronavírus em todo o mundo. Especificamente, é uma pesquisa acadêmica, independente da indústria farmacêutica, na qual participam cerca de vinte estudantes de doutorado da Universidade de Ghent.

Os pesquisadores de Ghent e Austin, nos Estados Unidos, começaram sua colaboração em 2016 para encontrar, na época, a cura para outros vírus do tipo SARS. O surgimento da nova pandemia catalisou esforços.

Segundo eles, o pequeno anticorpo presente na lhama que eles foram capazes de isolar "se liga a uma grande parte do SARS-CoV-2" (o novo coronavírus), impedindo que ele "penetre nas células hospedeiras" do vírus.

"É um avanço muito importante na luta contra o COVID-19", diz o professor Saelens.

Em relação à lhama usada pelo centro do programa de pesquisa, uma fêmea de quatro anos chamada Winter, sua localização na Bélgica é mantida em segredo.

"Tememos ativistas dos direitos dos animais, mas também devemos preservá-la o máximo possível do estresse", explicou Dorien De Vlieger.

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