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Uruguai elege novo presidente e se pronuncia sobre reforma de segurança

O candidato governista da coalizão de esquerda Frente Ampla posa antes de votar, em Montevidéu afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. outubro 2019 - 20:14
(AFP)

Os uruguaios elegem neste domingo o novo presidente, em uma eleição que pode ir ao segundo turno e na qual a população também irá se expressar sobre uma reforma de segurança que promove a criação de uma guarda nacional militarizada.

As mesas de votação abriram às 8h locais para receber os 2,6 milhões de cidadãos habilitados a votar, em um pleito que tem como favoritos para o segundo turno, em 24 de novembro, o governista ex-prefeito de Montevidéu Daniel Martínez, com 40% das intenções de voto, e o ex-senador de centro-direita Luis Lacalle Pou, com 28%.

A participação dos eleitores era elevada, de 41% às 13h locais, indicou o Tribunal Eleitoral. As urnas serão fechadas às 19h30 locais, com possibilidade de prorrogação por uma hora.

Martínez, que enfrentou uma longa fila para votar, disse a jornalistas que aguarda os resultados com uma "expectativa serena", e que havia conversado com Alberto Fernández, candidato favorito nas eleições argentinas, e com o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez.

Já Lacalle Pou, que votou na cidade de Canelones, informou que sua campanha para o segundo turno começará "amanhã mesmo, porque não há tempo a perder".

Em um contexto regional agitado, com protestos enormes no Chile em demanda de melhorias econômicas e eleições questionadas por observadores internacionais na Bolívia, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, destacou a solidez institucional de seu país.

"Os uruguaios têm grande adesão ao sistema democrático", declarou Vázquez (Frente Ampla), que encerra seu mandato em 1 de março. Antes de votar, também falou sobre o câncer de pulmão que está tratando: "Tenho esperança e desejo entregar a faixa presidencial ao meu sucessor", disse, ao deixar sua residência.

- O tema segurança nas urnas -

Além de eleger presidente e Parlamento, os uruguaios decidirão sobre uma reforma constitucional que promove a criação de uma guarda nacional que levaria 2 mil militares às ruas para ações de segurança, entre outros temas.

Embora não seja apoiada por nenhum dos 11 candidatos à presidência e tenha sido alvo de uma forte campanha contrária por parte de movimentos sociais, sindicatos e a governista Frente Ampla, segundo pesquisas divulgadas nesta semana, entre 39% e 53% dos cidadãos são favoráveis à proposta.

Outrora considerado um oásis de paz em uma região turbulenta, o Uruguai viu suas estatísticas de segurança se degradarem nos últimos anos. O país registrou em recorde no número de homicídios em 2018. Foram 414 crimes, uma alta de 45% em relação a 2017.

A reforma de segurança promove a criação de uma guarda nacional com militares em funções policiais; o estabelecimento da pena de prisão perpétua "revisável" para 30 anos por crimes graves; sentenças de prisão mais duras para homicídios e estupros; e autorização de buscas noturnas em domicílios por ordem judicial em caso de suspeita de feitos ilícitos.

- Duas visões de país -

Enquanto Martínez, um engenheiro de 62 anos, propõe a continuidade das políticas da Frente Ampla, que governa desde 2005 e busca o quarto mandato, Lacalle Pou, um advogado de 46, sugere mudanças em gastos públicos, comércio e política externa.

Lacalle Pou classificou de "vergonha nacional" a política uruguaia de aproximação da Venezuela, e Martínez declarou à AFP que manterá totalmente a posição atual do governo da Frente Ampla, que evita condenar o regime da Nicolás Maduro em fóruns internacionais e tem uma relação muito próxima desde sempre com o chavismo.

Martínez se diz aberto em matéria comercial, mas hesita em assinar qualquer tipo de acordo de livre-comércio, principalmente se não houver salvaguardas para o desenvolvimento local de tecnologia e as compras públicas.

Lacalle Pou indicou, por sua vez, que seguirá uma diplomacia comercial para abrir mercados e atrair investimentos estrangeiros que permitam aliviar o desemprego, de 9%, após as dificuldades do governo Vázquez para avançar em acordos aos quais sua força política se opõe.

Apesar desta situação, o Uruguai conseguiu assinar em junho, com os demais sócios do Mercosul, um acordo de livre-comercio com a União Europeia, após 20 anos de negociações.

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