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Vaticano considera vacinas anti-covid 'moralmente aceitáveis'

EUA iniciou uma campanha de vacinação em massa afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. dezembro 2020 - 17:32
(AFP)

O Vaticano pediu aos católicos que se vacinem contra a covid-19, considerando que todas as vacinas desenvolvidas são "moralmente aceitáveis", incluindo aquelas feitas de linhagens celulares de fetos abortados durante o século passado.

Uma nota publicada nesta segunda-feira (21) "sobre a moralidade da aplicação de certas vacinas anti-covid-19" lembra posições anteriores tomadas pela Igreja há quinze anos, mas visa responder a questionamentos específicos recebidos nos últimos meses.

"É moralmente aceitável receber vacinas (contra) a covid-19 que tenham utilizado em suas linhagens celulares de desenvolvimento fetos abortados durante os processos de pesquisa e produção", esclarece a nota endossada pelo Papa e publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé (guardiã do dogma).

A Igreja católica explica que o vínculo entre uma pessoa que está sendo vacinada atualmente e os fetos abortados no século passado é "distante".

Células-tronco de fetos abortados nas décadas de 1960, 1970 e 1980 - reproduzidas em laboratórios por décadas como "linhagens celulares" - têm sido utilizadas por um grande número de pesquisadores nas diferentes etapas do desenvolvimento de vacinas anti-covid-19, por exemplo, pelos grupos Astra Zeneca, Moderna e Pfizer, conforme documentação disponível no site do Instituto Europeu de Bioética.

Em vários países, especialmente na América Latina, mas também na Austrália e no Reino Unido, bispos mantiveram intensos debates sobre o dilema das vacinas "moralmente éticas".

O Vaticano também estipulou que "o uso dessas vacinas não significa a aprovação moral do aborto".

Ele pede às empresas farmacêuticas e agências de saúde do governo "que produzam, aprovem, distribuam e ofereçam vacinas eticamente aceitáveis, que não criem problemas de consciência".

Embora, em regras gerais, a vacinação deva ser "voluntária", a Igreja destaca que é um ato de "bem comum", e "a proteção dos mais fracos e expostos", posição totalmente contrária à o dos movimentos anti-vacinais.

A Congregação para a Doutrina da Fé finalmente evoca o "imperativo moral" para a indústria farmacêutica, governos e organizações internacionais de tornar as vacinas contra a covid-19 "acessíveis até mesmo para os países mais pobres", atendendo, assim, a um recente apelo do Papa Francisco.

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