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(7 jun) Manifestante mostra uma granada supostamente lançada do interior do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, em Caracas, durante um protesto contra o presidente Maduro

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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou nesta terça-feira que um helicóptero da polícia lançou granadas contra a sede do Supremo Tribunal, em Caracas, como parte do que considerou um "ataque terrorista".

"A Força Armada toda foi acionada para defender a tranquilidade. Mais cedo ou mais tarde vamos capturar o helicóptero e os que realizaram este ataque terrorista", assinalou o presidente durante um ato por ocasião do Dia do Jornalista, no Palácio Presidencial de Miraflores.

Maduro afirmou que o helicóptero que atacou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) pertence à polícia a científica venezuelana.

"Havia no TSJ uma atividade social, isto poderia ter causado uma tragédia. Atiraram contra o TSJ e depois sobrevoaram o Ministério de Interior e Justiça. Este é o tipo de escalada armada que venho denunciando", disse Maduro, acrescentando que uma das granadas não explodiu.

Inicialmente, Maduro mencionou duas granadas, mas um comunicado posterior da presidência informou que foram quatro artefatos de "origem colombiana e fabricação israelense".

Ainda segundo a presidência, foram realizados 15 disparos contra o ministério do Interior.

O presidente informou que a aeronave era conduzida por um homem que foi piloto do seu ex-ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodríguez Torres, general reformado que se distanciou do governo e que Maduro acusa de envolvimento em um plano para derrubá-lo.

Mais cedo, Rodríguez Torres - chefe de inteligência do então presidente Hugo Chávez - qualificou de "sandices" as acusações de Maduro, que o denunciou por promover uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.

"Os golpes são dados pelos militares na ativa. Sou general reformado há três anos e militares reformados não dão golpes", disse Rodríguez Torres em entrevista coletiva.

O ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, afirmou que a aeronave era pilotada por um "indivíduo que pegou em armas contra a República".

Nas redes sociais circularam fotos de um helicóptero sobrevoando Caracas com um cartaz que dizia "350 Liberdade", em referência ao artigo constitucional que permite ignorar os governos que não respeitam as garantias democráticas.

Nas imagens é possível observar duas pessoas no helicóptero, sendo uma com o rosto coberto.

A imprensa local divulgou um vídeo de um homem que se define como investigador da polícia científica, que teria utilizado o helicóptero e que declara que sua luta é "contra a tirania".

"Pedimos que nos acompanhem nesta luta, vamos às ruas (...). Nossa missão é viver a serviço do povo", diz o homem no vídeo.

"Exigimos, presidente Nicolás Maduro, sua renúncia imediata (...) e que sejam convocadas de maneira imediata eleições gerais".

O governo afirmou que o ataque faz parte de uma "escalada golpista" com base na "ofensiva insurrecional de fatores extremistas da direita", e exortou a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e a Igreja Católica a "condenar resolutamente tais fatos".

Um dos líderes da MUD, deputado Freddy Guevara, disse no Twitter que "não há ainda informação suficiente sobre o helicóptero", e convocou para os protestos desta quarta-feira.

- Confusão no Parlamento -

Na Assembleia Legislativa, deputados e militares trocaram empurrões nesta terça, em meio às acusações de que Maduro tenta gerar o caos para se manter no poder.

Os legisladores opositores denunciaram que os militares entraram no Parlamento com caixas contendo suposto "material eleitoral", e não permitiram que fossem abertas, o que gerou o confronto.

Vídeos divulgados pela secretaria de imprensa do Legislativo mostram deputados e militares se empurrando em meio a gritos.

Enquanto o confronto ocorria, partidários de Maduro lançaram fogos de artifício nos jardins do Parlamento e gritaram palavras de ordem contra os deputados opositores.

"Isto que aconteceu hoje não nos desanima, e sim nos dá mais força para seguir lutando por um país democrático. Isto se chama Maduro, o mesmo que disse que se os votos não servem, servem as balas", declarou o presidente da Câmara, Julio Borges.

O parlamentar se referia à advertência de Maduro, que nesta terça-feira disse que o chavismo defenderá a chamada Revolução Bolivariana inclusive com as armas.

"Se a Venezuela for mergulhada no caos e na violência, e for destruída a revolução bolivariana, iremos ao combate (...) e o que não se pode com os votos tomaremos com as armas", declarou o presidente.

Maduro enfrenta desde 1º de abril uma onda de protestos que exige sua saída, e que já deixou 76 mortos.

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AFP